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Where did it all go wrong?

derby

 

Este é o título de uma das minhas músicas favoritas do Oasis. Creio ser a última faixa do “Standing on the Shoulder of Giants”, o pior disco da banda. Foi escrita por Noel Gallagher, convidado da Sky Sports para participar do intervalo e do pós-jogo em Old Trafford.

Vários torcedores do Manchester United se incomodaram com a mordaz presença de Noel, torcedor do Manchester City, ao lado de Gary Neville e Graeme Souness. Geralmente não gosto, mas não me incomodou porque é uma ocasião muito especial. Se ficar nisso, como algo “especial”, tudo bem. Artistas toda semana comentando futebol… Thanks but no, thanks.

O que incomoda de verdade é o que aconteceu em campo pelos 90 minutos. Ok, a ausência de Pogba priva o time de uma força criadora importante. Mas se existia um momento propício para enfrentar o Manchester City, era aquele. Eles vinham de vitórias sofridas atrás de vitórias sofridas, apenas escapando com os três pontos nos minutos finais. Haviam sido derrotados pelo Shakhtar Donetsk. Era a chance de o United voltar à briga pelo título.

Não seria a primeira vez que Mourinho aceitaria dar o controle da posse de bola para os noisy neighbours e tentar acertar o contra-ataque. Fiquei animado quando vi Martial, Rashford e Lingard juntos na escalação. Mas eles passaram grande parte da partida apenas correndo atrás dos laterais do City na marcação.

Creio que a estratégia de José poderia ter dar certo se os lançamentos pelo alto na direção de Lukaku, Martial, Rashford saíssem do campo de ataque, pelas laterais. A zaga do City continua suspeita. Não foi assim que saiu o gol de Marcus? Mas não era viável passar grande parte da partida rifando a bola da defesa buscando o desvio de Lukaku lá na frente. Não foi porque deu certo contra o Tottenham que funcionará em todos os jogos importantes.

Guardiola foi ousado e montou um esquema que matou o United. Os jogadores mais ofensivos formavam um retângulo na entrada da área e encaixotavam os adversários de uma forma que, se perdessem a bola, eles estavam tão recuados que não conseguiriam encaixar o contra-ataque. Foi uma das raras vezes sob o comando do português que foi possível ouvir Stretford End gritando “attack, attack, attack”, com a torcida incomodada com o atuação.

Na temporada passada, ele havia armado o mesmo esquema. Foi derrotado por erros defensivos escandalosos, como aconteceu no domingo. Isso deve consumi-lo por dentro. Apesar de todo o domínio territorial do City, os gols saíram de falhas ridículas, estúpidas na defesa. Quando ele observou isso na entrevista pós-jogo, teve razão. O mesmo não aconteceu ao reclamar de pênalti não marcado sobre Herrera. Não houve, diferentemente de 2016, quando Claudio Bravo fez uma falta escandalosa em Rooney quando o United perdia por 2 a 1.

O caso mais difícil de analisar é o de Lukaku. Não concordo com grande parte das críticas que recebe. Ele tem se esforçado, aberto espaços, pedido a bola e sofrido com a falta de passes em condições de finalizar. E ele é um centroavante finalizador. Contra o City, aconteceu a mesma coisa. Deu até pena de tão isolado que estava lá na frente. Mas..

. Ele não pode, em uma situação como aquela, perder oportunidade dentro da pequena área e sozinho. Não dá para aceitar aquilo.

O passado está no passado. O City tem 11 pontos de vantagem e é o virtual campeão inglês. Sobram a Champions League (Sevilla era um dos adversários que eu queria), a FA Cup (Derby em casa não deve ser problema) e a League Cup (Bristol, fora). Confesso que a situação em campo me preocupa. Porque o United não joga tão bem quanto esperávamos e tem tido resultados decepcionantes (as atuações contra Huddersfield e Chelsea foram abaixo da crítica). Mourinho parece deluded em alguns momentos, dizendo não querer saber de análises porque houve pênalti sobre Herrera.

Na Premier League sobra ficar no top 4 e se classificar para a Champions League. Isso é… Se o Manchester United não se garantir conquistando o título europeu nesta temporada.

Acho que eu também estou um pouco deluded. Mas não custa sonhar.

PS. Algum tempo sem atualização por causa de viagens para a Rússia e muito trabalho. Espero voltar à regularidade anterior.

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Vaias a Lukaku lembram a ira de Roy Keane há 17 anos (saudades desse tempo)

Lukaku

Foi possível ouvir pela TV as vaias quando Rashford saiu para dar entrada a Martial. Mas não percebi que o descontentamento era por Lukaku continuar em campo. Gente que estava em Old Trafford no sábado relatou depois que já no primeiro tempo, cada vez que Lukaku perdia uma disputa no ataque, era possível perceber os resmungos de descontentamento.

Mourinho defendeu seu centroavante após o jogo e voltou a fazê-lo nesta segunda, quando deu entrevista coletiva um dia antes da partida contra o Benfica. Disse que o atacante “é intocável” para o treinador e deveria sê-lo também para os torcedores.

Por partes.

É um palpite, claro, mas acho que veremos uma onda de apoio para o belga contra o Benfica. Porque a maioria que está contente com o desempenho dele (são 11 gols em 15 jogos, afinal) vai aplaudi-lo e calar a minoria. Mais ou menos como o episódio da prawn sandwich brigade em 2000. Curiosamente, meu primeiro jogo em Old Trafford (saudades). É incrível que já tenham se passado 17 anos. Why did the years go?, perguntaria Morrissey.

O estádio ficou quieto de forma pouco usual em uma partida decisiva da fase de grupos da Champions League, que o United precisava vencer para avançar. Foi 1 a 0, gol de Sheringham. Roy Keane being Roy Keane, depois da partida detonou a atmosfera, reclamando dos torcedores que iam apenas para comer sanduíches e reclamar. Três dias depois, diante do Middlesbrough (2 a 1, Butt e Shergingham), o grito de “Keano” reverberou em Old Trafford por 90 minutos.

Para os torcedores mais antigos, é um choque ver um jogador vestindo a camisa do Manchester United ser vaiado. Você não faz isso, em hipótese alguma. Se houve indignação quando Fellaini foi apupado há dois anos, em uma partida de pré-temporada contra o Valencia, imagine Lukaku em um confronto da Premier League…

E não faz qualquer sentido vaiá-lo. Ok, ele está há cinco partidas sem marcar. Mas seria loucura tirá-lo de campo contra o Tottenham porque é sempre o foco do ataque e Mourinho começou a apostar, no segundo tempo, em lançamentos longos para o belga desviar de cabeça.

Como saiu o gol? Quem marcou? Jose knows best.

Lukaku não anota há cinco partidas, mas deu o passe para gols contra Tottenham e Huddersfield. Uma partida em que Martial começou e foi mal.

Ouvindo o podcast do United We Stand, um senhor de certa idade, o que foi possível perceber pela voz, disse que os anos de Alex Ferguson mimaram o torcedor do Manchester United. Contra fatos, não há argumentos.

Confesso que tenho atenção dobrada às entrevistas de Mourinho. Não porque ele tenha argumentos especiais para defender seus pontos de vista, mas porque quero prestar atenção mais ao jeito que ele diz as coisas do que às palavras em si. A linguagem corporal. Não o vejo muito confortável no cargo nesta segunda temporada. Ele pode estar descontente porque não teve o investimento em reforços que gostaria, pode estar incomodado porque a lesão de Pogba comprometeu os planos. Pode estar unsettled pela possibilidade de ir dirigir o Paris Saint-Germain. Pode ser tudo coisa da minha cabeça.

Sabe-se lá…

Mas tudo o que o Manchester United não pode em um futuro próximo é começar mais um trabalho do zero.

 

“Lads, it’s Tottenham”

united rooney

Foi Roy Keane quem contou a história em “Second Half”, aquela segunda autobiografia que fez para atacar Alex Ferguson.

Fergie não dava instruções no vestiário antes de jogos contra os Spurs.  Dizia apenas:

“Lads, it’s Tottenham.”

E mandava os jogadores entravam em campo.

A mensagem era simples. Eles têm uniforme bonito, tocam a bola de lá para cá, fazem um gol de vez em quando e nós vamos passar por cima.

Os Spurs melhoraram nos últimos anos. Com Pochettino, evoluíram bastante. Mas de  certa forma, continuam uma versão mais potencializada do que eram na época de Ferguson. Atuam com intensidade, Harry Kane faz muitos gols, Lloris é bom goleiro, Heung Min-Son é um dos jogadores mais subvalorizados da Premier League… Mas ganharam o quê?

Apesar da evolução, o retrospecto recente do United é bom. Vitórias em Old Trafford nas três últimas temporadas. Perdeu em 2013-14, na fatídica administração David Moyes, porque o juiz ignorou um pênalti escandaloso em Nani. Até com aquela instrução ridícula de van Gaal, de que os atacantes não podiam finalizar de primeira na área, tinham de dominar a bola antes de chutar, a equipe venceu por 1 a 0 em 2015.

Sem Harry Kane, o argentino poderá optar pelo mais simples: escalar Llorente, um centroavante mais lento, menos móvel, mas que dá trabalho para os zagueiros na área, ou mudar o esquema e colocar Son como atacante. Se perde em poder de fogo, ganha em velocidade. Após o resultado em Huddersfield, seria inteligente Pochettino apostar em um jogo mais contido na defesa à espera que, com o passar do tempo o United avence mais e mais, oferecendo espaço para o contra-ataque.

O Manchester United precisa voltar a ganhar a disputa no miolo do meio-campo. Herrera tem de mostrar mais. De preferência, o futebol da temporada passada. Depois da partida de terça-feira, por que não Lingard e Rashford nas pontas? Pelo menos até Mkhitaryan perceber que a temporada já começou…

Com a distância para a liderança em cinco pontos, o mínimo que podemos esperar é que a equipe de Mourinho não permita o aumento da diferença. Em uma visão BEM otimista, vamos sonhar que Tony Pulis, o senhor retranca, tenha aprendido a lição deixada pelo Wolverhampton e possa conseguir alguma coisa contra o City.

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Você deveria gostar de Jesse Lingard

lingard

 

Estava pensando em escrever sobre isso desde o jogo de terça-feira, mas o Republik of Mancunia foi mais rápido do que eu e postou.

Vou manter a ideia mesmo assim.

De tempos em tempos, há jogadores do Manchester United que são vítimas dos “boo-boys”. Atletas que aparentemente não conseguem acertar nada aos olhos desses torcedores e qualquer coisa que façam, por mais insignificante que seja, é motivo para críticas.

Imagino que seja comum a outros times também, mas isso não me interessa nem um pouco. O blog é sobre o Manchester United.

A bola da vez é Jesse Lingard.

Ele é o novo Danny Welbeck. A versão mais recente de Lee Sharpe. A reencarnação de Andy Cole pré-1998. Alguém que parece não conseguir ganhar o respeito de uma parte da torcida.

É muito fácil esquecer que Giggs foi sistematicamente vaiado durante a temporada 2001-2002, quando teve a pior fase da sua carreira (e se você vaia Ryan Giggs, está disposto a qualquer coisa). Em 1998, 12 meses antes de fazer um dos gols mais importantes da história do clube, Teddy Sheringham foi colocado por um fanzine na seleção dos piores jogadores da história do United.

Agora é Lingard. Talvez seja a mesma parcela de torcedores que prefira Martial a Rashford, pouco importa que Marcus seja (considerada matemática do tempo em campo x impacto nas partidas), talvez, o melhor jogador do Manchester United na temporada. E ele sequer é titular.

Lingard não é craque, claro. Mas é possível negar que seja jogador útil para ter no elenco. Alguém que, em algumas situações, é capaz de mudar uma partida? O melhor desempenho do time na temporada passada foi contra o Chelsea, em Old Trafford. quando Mourinho escalou Rashford e Lingard no ataque.

Talvez seja porque ele não custou 500 milhões de libras e não foi reforço apresentado por pompa, com hashtags de “bem-vindo” no Twitter e vídeo promocional. Talvez por ser um garoto de Warrington que cresceu adorando o Manchester United e não custou nada ao clube, ele não seja visto no mesmo patamar de jogadores como… Juan Sebastián Verón, comprado por 28 milhões de libras em 2001.

Verón foi um craque, um gênio. Mas não pelo Manchester United, onde não se adaptou, jogou bem por muito (MUITO mesmo!) pouco tempo e foi para o Chelsea. Em Old Trafford, Lingard vale muito mais do que Verón.

Até a comemoração dos gols, em que ele simula tocar uma flauta (e seja lá o que isso significa) é motivo para críticas. Como se não importasse ele ter marcado duas vezes contra o Swansea e sim, como festeja…

Partida, aliás, em que ele foi um dos únicos a ficar mais tempo em campo após o apito final para agradecer aos torcedores que viajaram ao Liberty Stadium. Da mesma forma que, após o último jogo da última temporada, foi ao bar do Hotel Football e ficou por lá, bebendo com torcedores.

Seria um vexame se o Manchester United, o clube dos Busby Boys, da Class of 92, resolvesse considerar um jogador revelado em casa menos valioso do que outro contratado, apenas pelo motivo de ter custado dinheiro.

Para esses sujeitos, nas imortais palavras de Sir Alex Ferguson, “go and support Chelsea”.

 

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De onde (não) vem a força criativa do Manchester United?

Huddersfield-Town-v-Manchester-United-Premier-League

 

O que aconteceu com o meio-campo do Manchester United? Qual a explicação para um time que criava tantas chances no começo da temporada ter tido 270 minutos de futebol tão ruins como aconteceu diante de Liverpool, Benfica e Huddersfield?

Se os resultados em Anfield e no Estádio da Luz foram, respectivamente, aceitável e bom, no John Smith’s Stadium, não foi. A consequência disso é que o United está a cinco pontos dos noisy neighbours e bem pior do que eles no desempenho.

Claro que a lesão de Paul Pogba atrapalhou os planos de como Mourinho planejava jogar. O papel do francês seria receber as bolas roubadas por Matic, acionar os meias pelas laterais e estes dariam passes para Lukaku na área. Sem o francês, Herrera virou titular. E se Matic se mantém bem, o espanhol tem sido abaixo da crítica. Contra o Huddersfield, então, nem se fala…

Mkhitaryan foi substituído por seu irmão gêmeo, aparentemente. Mata não é sombra do meia que atuou entre agosto e setembro. Martial (e ele só não vai detestar ler isso porque nem desconfia da existência deste blog) é um quando entra no segundo tempo e outro, bem pior, quando começa como titular. Lingard desperdiçou bela chance, em Huddersfield, de mostrar que pode ser titular.

Não é difícil constatar que o Manchester United está com problemas para criar chances de gol. Não gosto muito de estatísticas porque, como diria o economista Roberto Campos, esta é como biquíni em mulher bonita. Mostra tudo, menos o mais importante. Mas o time teve 78% de posse de bola contra o Huddersfield e acertou três finalizações em direção ao gol. Tem algo errado aí.

Houve o fator sorte no sábado. Phil Jones, o melhor defensor do elenco na temporada que não se chama David, se machucou e Lindelof entrou para cometer aquele erro bizarro que deu origem ao segundo gol. Mas sem querer diminuir a falha, o United teve tempo de sobra para reagir na partida, o que aconteceu apenas nos 15 minutos finais. Tarde demais.

Fica claro, a cada jogo, que o time do Manchester United, no momento, tem de ser David de Gea, Marcus Rashford e mais nove. Tanto que não arriscaria nenhum dos dois na terça, contra o Swansea, pela Copa da Liga.

José Mourinho possui uma grande virtude, que contrasta com o que Sir Alex Ferguson tinha de melhor. O português sabe exatamente que tipo de jogador precisa para fazer o time ir adiante a cada temporada. Mas seu man management skills pode deixar a desejar. Ele tem fé cega no tough love para fazer os atletas crescerem. Fergie várias vezes teve dificuldade para entender o que o elenco necessitava (embora tenha acertado ao cheio ao perceber que van Persie seria a diferença em 2012-2013), porém tinha a qualidade suprema de tirar de cada jogador mais do que eles podiam dar normalmente. Os títulos de 2013 e 2011 podem ser creditados a isso mais do que a qualquer outra coisa. Ele sabia no olhar quem responderia melhor com o hair dryer e quem precisava do braço em torno do ombro e uma conversa particular.

O man management de Mourinho fez o Chelsea perder Kevin de Bruyne.

Sem Pogba, a equipe precisa de um plano B de jogo. Talvez isso passe por descobrir de onde virá a força criativa. A do City é de Bruyne, a do Spurs é Erikssen, a do Chelsea é Hazard. E a do Manchester United?

Na terça, eu gostaria de ver Alex Tuanzebe, Scott McTominay e Angel Gomes serem testados.

PS. Atualização: como bem lembrado pelo Cleber, leitor do blog, Angel Gomes está com a seleção inglesa sub-17 no Mundial, infelizmente. Valeu, Cleber.

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Desmistificando o United em Anfield

Lukaku

Antes de mais nada, vamos deixar claro uma coisa: o clássico de sábado foi ruim. Bem ruim. Mas eu prefiro empatar em 0 a 0 daquele jeito do que perder por 4 a 3 em uma p… partida de futebol.

Todo engraçadinho, Jurgen Klopp insinuou que aquele estilo de futebol não caberia no Liverpool. Claro, resultados não são a especialidade naquele clube, pelo Campeonato Inglês, desde 1990.

O problema do estilo de Mourinho no Manchester United é que começam a surgir alguns mitos.

Sam Pilger, um jornalista inglês torcedor do United, escreveu no Twitter depois do jogo que Ferguson, durante 26 anos foi a Anfield para ganhar, enquanto Mourinho em duas temporadas havia estacionado o ônibus em frente da área para garantir o zero a zero.

Sou fã de Pilger. Os tempos que ele trabalhou na FourFourTwo foram os anos dourados da revista que hoje não é nem sombra do que já foi (apesar de ninguém no Brasil conseguir fazer nada igual). Mas o que ele escreveu é uma gigantesca mentira.

Jogar na defesa era o que Ferguson mais fazia quando ia a Anfield pela liga. Sou capaz de lembrar apenas três vezes em que o United partiu para o ataque desde o início para ganhar: 1996-1997 (3 a 1), 1997-1998 (3 a 1) e 1998-1999 (2 a 2). Foi muito mais comum ele utilizar um esquema cauteloso ao chegar lá como visitante.

Não há nenhuma intenção de desmerecer os feitos de Sir Alex (como alguém poderia fazer isso?) mas o passado pode tornar coloridas coisas que estavam mais para o preto e branco.

Não concordo muito com o argumento de Mourinho de que levou sufoco no segundo tempo porque não tinha como igualar os três volantes do Liverpool no meio-campo. Podia contar apenas com tinha Matic e Herrera. Era possível fazer algumas improvisações mesmo sem contar com Fellaini (quem diria que a lesão de Marouanne fosse tão lamentada?), Carrick e Pogba.

Sem analisar muito tempo e na urgência de igualar o que o adversário fazia, uma sugestão: Jones joga como volante. É a solução ideal? Não é.

Mas insistir em pedir para Darmian cruzar bolas na área também não é…

O que Mourinho percebeu foi o óbvio que foge muitas vezes à imprensa que não tem os mesmos interesses do Manchester United. A Premier League é uma maratona, não um sprint.

O próprio Ferguson acreditava que o importante não era disparar na ponta, mas manter contato com o líder até a hora da reta final ou a partir de janeiro. Foi isso que ele percebeu em 2006-2007. O Chelsea foi campeão em 2005 e 2006 sem ser fustigado por ninguém. Nenhuma outra equipe havia incomodado, pressionado e feito entrar CSKA Chelski em campo sabendo que precisava do resultado.

Quando o United fez isso, voltou a ser campeão.

É o que José pretende fazer agora. Manter contato com o City. Passar esse período de confrontos com Liverpool e Chelsea e ainda assim seguir ali, colocando pressão.

A atuação em Anfield não foi bonita, claro. Era melhor ter vencido com um gol de voleio, como Mata fez em 2014-2015. Mas no grande esquema das coisas, pode ter sido um 0 a 0 útil quando maio chegar.

 

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De volta! E com cinco jogos memoráveis em Anfield

2007

 

Voltamos após algumas semanas, quatro viagens e trabalho insano. Mas claro, acompanhando o maior clube de futebol do planeta. O momento de voltar é antes do maior clássico do futebol britânico, contra o Live*****l neste sábado.

Uma rivalidade que não é apenas dois times, mas de duas cidades. De quando o porto de Liverpool resolveu extorquir a cidade vizinha para despachar a produção das indústrias, Manchester deu um V sign para eles e construiu o ship tunnel. Mas inegável que, como muitas vezes acontece, é uma inimizade (ódio muitas vezes) que nasce também mais das semelhanças do que das diferenças (isso fica para um outro texto, talvez para o jogo do returno)

O Brazilian Red Devils faz uma lista bem específica. Cinco jogos memoráveis em Anfield pelo Campeonato Inglês entre Manchester United e eles… A ordem é cronológica.

 

5. Liverpool 3-3 Manchester United (4 de abril de 1988)

robson

O locutor de Anfield, para tentar reduzir o tóxico ambiente entre os dois times naqueles anos 80, deu boas vindas “to our friends from the other side of the M62”. Levou vaia que durou mais de um minuto.

O Manchester United possuía bom time, mas que não se comparava, infelizmente, ao que eles tinham. Aquele elenco 1987-1988 do Liverpool foi o melhor que tiveram por lá. Líderes da antiga Division One, chegaram ao clássico com 11 pontos de vantagem sobre o United e dois jogos a menos.

Não que Alex Ferguson tivesse material ruim. Viv Anderson, Steve Bruce, Paul McGrath, Bryan Robson, Gordon Strachan e Brian McClair eram titulares. O que ficou claro quando The Captain Marvel abriu o placar logo aos três minutos.

Por mais estranho que pareça, o Liverpool, no auge, tinha dificuldade para ganhar do United. No primeiro turno, em Old Trafford, havia sido 1 a 1. E se AQUELE time de Dalglish não conseguisse vencer o grande rival, qual conseguiria?

No começo do segundo tempo. o Liverpool vencia por 3 a 1 (Bearsdley, Gillespie e McMahon) e tudo parecia encaminhado.

Quase derrotado em campo, o United precisava de um golpe de sorte. Este veio aos 66 min, quando chute de Robson desviou na zaga e enganou Grobbelaar. A equipe cresceu em campo e, aos 77, Peter Davenport deu passe perfeito para Gordon Strachan sair na cara do gol. Ele esperou, esperou, esperou e quando viu que o goleiro não sairia, tocou no canto direito.

 

4. Liverpool 3-3 Manchester United (4 de janeiro de 1994)

giggs

O caminho inverteu. O Manchester United era a força dominante do futebol inglês, campeão nacional e em vias de fazer o double. O Liverpool entrava na mesma era em que está até agora: vivendo do passado.

O clássico começou perfeito para os visitantes. Após 23 minutos, venciam por 3 a 0, com gols de Bruce, Giggs (um golaço) e Irwin (de falta). Estava fácil demais e a equipe criava uma oportunidade depois da outra. Parecia que seria goleada histórica.

Até que aos 25, Nigel Clough (filho de Brian Clough que, no Nottingham Forest não o chamava pelo nome. Era apenas “our number nine”) acertou chute de fora da área. Por algum motivo, o United entrou em parafuso e Clough anotou outro antes do intervalo. O United perdeu um caminhão de chances para fazer o quarto (Giggs furou dentro da pequena área com o Grobbelaar caído). Neil Ruddock (of all people!) empatou de cabeça aos 79.

No pós-jogo, Alex Ferguson e Peter Schmeichel tiveram a mãe de todas os bate-bocas entre técnicos e jogador. Fergie estava furioso porque achou que o goleiro teve péssima reposição de bola e foi o responsável pela pressão que o time sofreu. O dinamarquês respondeu de forma mais dura. Questionou a capacidade tática do chefe. Saiu do estádio e telefonou para o seu empresário ordenando que achasse outra equipe porque não atuaria mais para Ferguson.

No dia seguinte, de cabeça mais fria, foi pedir desculpas.

“Suas desculpas estão aceitas. Mas eu vou ter de negociar você com outro clube”, foi a resposta do treinador.

Schmeichel foi para o vestiário esvaziar seu armário. Reuniu os jogadores e pediu desculpas pela confusão. Assumiu a culpa pelo que aconteceu. Ferguson estava ouvindo tudo no corredor, sem ser notado.

Foi o que salvou a carreira do maior goleiro da história em Old Trafford. Ele sairia apenas depois do Treble, em 1999.

 

3. Liverpool 1-3 Manchester United (19 de abril de 1997)

pallister

O clima era festivo em Anfield. Na reta final da Premier League, o United era líder, mas o Liverpool tinha a chance de encostar de vez e abrir a disputa pelo título. Muitos torcedores deles deveriam estar repetindo o que dizem todos os anos. This is our year.

Alex Ferguson vivia a dor de cabeça de acumular partidas decisivas. Na quarta-feira seguinte, teria o jogo de volta das semifinais da Champions League contra o Borussia Dortmund (o Manchester United perdeu os dois confrontos por 1 a 0 desperdiçando um caminhão de gols nos 180 minutos. Sério: foi absurdo). Andy Cole começou no ataque, em vez de Solskjaer.

Para colocar sal na ferida do Liverpool, o artilheiro em campo não foi nenhum atacante. Gary Pallister fez 12 gols em nove anos em Old Trafford. Na temporada 1992-1993, quando acabou o inferno de 26 anos sem título inglês, todos os jogadores do elenco anotaram na temporada, menos Pally. Na última rodada, contra o Blackburn, o zagueiro foi empurrado para bater uma falta da entrada da área e tentar fazer o gol. Ele provavelmente jamais havia feito uma cobrança na vida. Mas foi lá e marcou.

Naquela tarde de abril, em Anfield, Gary Pallister fez dois gols. Ambos de cabeça em dois escanteios. No segundo tempo, quando o Liverpool mais pressionava pelo empate, David James entregou o ouro para Andy Cole definir a vitória do Manchester United. Foi, na prática, o jogo do título.

 

2. Liverpool 1-2 Manchester United (2 de dezembro de 2002)

forlan 2

Volta e meia, você pode até identificar a música em Old Trafford, mesmo pela televisão.

“Diego, ôôôô, Diego, ôôôô. He came from Uruguay, he made de Scousers cry”.

Depois de um começo ruim ao ser contratado, ainda na temporada 2001-2002, Diego Forlán fez gols fundamentais na campanha do título da Premier League de 2002-2003. Contra Southampton, Chelsea, Aston Villa… Mas ele entrou no folclore por causa de dois que marcou em Anfield.

É memorável para o torcedor do United também porque Jerzy Dudek teve uma das atuações mais patéticas de um goleiro neste clássico. Mais do que David James. Com o jogo equilibrado no segundo tempo, o polonês deixou a bola passar pelo meio de suas pernas e sobrar livre para o uruguaio empurrar para o gol. Forlán depois ainda faria o segundo em um chute da entrada da área que Dudek foi com mão de alface e não conseguiu espalmar.

Depois que saiu do clube, o atacante seria um dos maiores artilheiros da Europa por Villarreal e Atlético de Madrid. Foi eleito o melhor da Copa de 2010. Mas sua imagem está ligada de maneira irremediável àquele clássico em Anfield no final de 2002.

Por causa disso, quase ninguém lembra que, nos minutos finais e com o placar 2 a 1, Barthez fez uma defesa espetacular em arremate de Dietmar Hamann, a mais bonita que fez com a camisa do Manchester United.

E na temporada seguinte, Dudek levaria um frango espetacular que nos daria outra vitória em Anfield.

 

1. Liverpool 0-1 Manchester United (3 de março de 2007)

SPT IHN 030307-23

Se não foi a vitória sobre o Liverpool que mais comemorei (tirando as duas em que estava em Old Trafford), chega perto. Reta final da Premier League, Manchester United se agarrando á liderança e tentando voltar a ser campeão depois de quatro anos, com um jogador a menos em Anfield e nos acréscimos. Foi quando John O’Shea fez nascer a música.

“When Johnny’s marching down the wing… O’Shea, O’Shea. When Johnny’s marching down the wing… O’Shea, O’Shea. When Johnny’s marching down the wing the Stretford End will fucking sing: WE ALL KNOW THAT JOHNNY’S GOING TO SCORE”.

Nos primeiros 85 minutos, o jogo teve muito pouco de memorável, como é a regra em Anfield. Curioso que à exceção de Van Gaal (VAN GAAL!) nenhum técnico do United desde Sir Alex Ferguson vai para a jugular contra o Liverpool fora de casa. Tem um posicionamento mais cauteloso. Fergie também era assim e este foi o comportamento da equipe.

Para dizer a verdade, eles também não criaram muito, a não ser por lance em que Peter Crouch obrigou Van der Sar a fazer uma grande defesa. Saha foi derrubado na área em um pênalti escandaloso não marcado pela arbitragem.

Foi neste ritmo até que Paul Scholes tentou acertar um soco em Xabi Alonso. Até hoje não sabemos o motivo, mas temos certeza que Scholesy estava certo. O United se fechou até, que nos acréscimos, houve uma falta na lateral. Cristiano Ronaldo foi bater e não era segredo algum que ele tentaria chutar direto. Reina sabia. Mesmo assim, largou a bola… Nos pés de O’Shea.

Gary Neville foi comemorar abraçado a Van der Sar em frente aos torcedores visitantes. A imagem de O’Shea correndo com os braços abertos, com a expressão de quem não acreditava no que tinha acabado de acontecer… Ainda não tem preço, tantos anos depois.

When Johnny’s marching down the wing… O’Shea, O’Shea”

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