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Cinco grandes jogos do United na 3ª fase da FA Cup

robins

O final de semana da 3ª fase da FA Cup é um dos top três da temporada do Reino Unido. Disputa o topo com o Boxing Day e o Opening Day (que, para mim, é melhor que o Natal).

É um torneio especial, por mais que não seja tão importante quanto a Premier League ou a Champions League. Mas em uma lista dos três jogos que eu gostaria de ter estado presente na vida, dois foram pela FA Cup. A virada sobre o Liverpool na 4ª fase de 1998-1999 e o replay da semifinal daquela mesma temporada contra o Arsenal. Uma das maiores partidas de todos os tempos.

Todas essas elucubrações antes do confronto com o Derby County, nesta sexta, na estreia do United na competição, me fizeram pensar em cinco momentos memoráveis do clube na 3ª rodada da copa mais antiga do mundo.

Lista pessoal, claro. Mas segue abaixo. Em ordem cronológica, não necessariamente de preferência.

 

Derby 2-5 Manchester United (1965-1966)

O Manchester United não seria campeão daquela Copa, nem meses depois conquistaria o título de inglês. Mas foi um dos jogos a mostrar que Sir Matt Busby estava com outra máquina em formação. Um time que conquistaria o título da Division One na temporada seguinte e a tão sonhada Copa da Europa em 1968.

O United venceu com dois gols de Law, dois de Best (já começando a se habituar a ser “El Beatle”) e um de Herd.

A equipe iria até a semifinal, quando foi derrotada pelo Everton por 1 a 0.

 

Nottingham Forest 0-1 Manchester United (1989-1990)

Os mitos podem ser mais fortes que a realidade. Ficou na história que Alex Ferguson viajou para o City Ground com a corda no pescoço. O time estava recheado de desfalques e, se perdesse, o treinador seria demitido. Venceu com um gol de cabeça de Mark Robbins, que até hoje dá entrevistas como “o jogador que evitou a queda de Alex Ferguson.”

Não foi bem assim. Fergie estava pressionado, com certeza, e havia uma legião de torcedores descontentes. Mas Sir Bobby Charlton e o então chairman Martin Edwards sempre descartaram que a demissão aconteceria.

O jogo tem maior importância histórica porque aquela FA Cup foi o primeiro título da era Ferguson, conquista que lhe deu fôlego para continuar no processo de reconstrução do clube… Deu no que deu.

Conquista que foi possível graças aos gols de Mark Hughes. Aliás, um atacante que era fenomenal. Foi dele o passe para Robins marcar contra o Forest.

 

Chelsea 3-5 Manchester United (1997-1998)

O placar de 5 a 3 pode fazer parecer que foi um jogo equilibrado. Não, não. Foi um massacre. O United abriu 5 a 0. Poderia ter feito nove. Contra um adversário que nos últimos 30 anos (muito antes da era Abramovich) sempre perturbou, os Reds foram a Londres e tomaram conta do jogo.

Beckham anotou dois, Cole também e Sheringham completou. Um passeio. Só que nos 10 minutos finais, o Chelsea marcou três gols, o que levou muita a gente a dizer “ah, se a partida tivesse mais dez minutos…”

Mas não tem. São 90. Se minha mãe tivesse pêlo no peito, seria meu pai…

O United foi até as oitavas de final, quando foi eliminado pelo Barnsley, na partida replay…

Ah, uma observação. Eu usei a palavra “Reds” para me referir ao Manchester United. Isso me faz lembrar que já ouvi e li em alguns lugares que o uso de “Reds” se refere exclusivamente ao Liverpool…

Se o nobre leitor é uma dessas pessoas, pare de falar isso. Você está passando vergonha.

 

Aston Villa 2-3 Manchester United (2001-2002)

Uma virada com o DNA do United sob o comando de Alex Ferguson. Quantas vezes a vaca parecia que já estava no brejo e bastava um gol para acordar o gigante. Aquela sensação de “é inevitável, vamos virar” é um dos sentimentos que eu mais sinto falta dos tempos de Fergie como técnico.

Este jogo no Villa Park foi um clássico exemplo. Nada dava certo. Nada. Quando, aos nove do segundo tempo, Phil Neville fez um gol contra e o Villa abriu 2 a 0, tudo parecia perdido.

Aos 32, Solskjaer (saudades, Ole) diminuiu e o United, usando aquele uniforme dupla face, que de um lado era branco e do outro era dourado, foi para cima.  Aos 36, já vencia por 3 a 2, com a torcida invadindo o campo para comemorar os dois gols de Van Nistelrooy (saudades, Ruud).

A caminhada durou até a 4ª fase, quando Laurent Blanc enterrou o time na derrota por 2 a 0 contra o Middlesbrough.

 

Manchester City 2-3 Manchester United (2011-2012)

Se a memória não me trai, esta foi a última vez que o United foi a Emptihad e atacou o City de verdade. Um jogo em que no intervalo, vencíamos por 3 a 0, com Rooney (duas vezes) e Welbeck não dando sossego para a defesa deles.

O City marcou duas vezes no segundo tempo, o que apenas serviu para nos levar quase à loucura nos dez minutos finais.

Um grande jogo.

O United caiu na fase seguinte, em Anfield (of all places), contra o Liverpool.

 

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A disputa Mourinho x Scholes e a atuação de Paul Pogba

England's midfielder Jesse Lingard (L) g

O pós-jogo da partida contra o Everton foi dominado pela resposta que José Mourinho deu a Paul Scholes. O ex-meia criticou as atuações da equipe nas últimas partidas, especialmente Paul Pogba, alguém que joga na mesma posição que ele.

As declarações de José foram:

“A única coisa que Paul Scholes sabe fazer é criticar. Não acho que ele comente. Acho que ele critica, o que é algo bem diferente. Mas não são todos que têm de ser fenomenal como ele foi como jogador. Ele foi um jogador fenomenal, o que não significa que nós todos temos de ser fenomenais.”

“Paul (Pogba) tenta fazer o seu melhor o tempo todo. Às vezes ele joga muito bem, às vezes joga bem e às vezes não joga tão bem. Não é culpa de Paul que ele ganhe muito mais dinheiro do que Scholes. Não é culpa de Paul. É apenas como o futebol é.”

“Creio que Scholes ficará na história como um fenomenal jogador, não como comentarista, então prefiro olhar para ele como um jogador fenomenal que deu tanto para o clube que tenho orgulho de representar. Se Paul (Scholes) decidir um dia ser técnico, desejo que ele tenha 25% do sucesso que eu tive, porque 25% de 25 (títulos) são cerca de seis. Então se for 25% ele será muito feliz. Mas na minha cabeça Paul Scholes foi um jogador fenomenal, um dos melhores que eu vi jogando no meio-campo e ele deu tanto para o meu clube que eu só posso agradecê-lo por isso porque o prestígio do clube é baseado em pessoas como ele.”

Bem, por partes.

Mourinho não precisava dar este tipo de respostas (ainda mais a parte do dinheiro, desnecessária), mas não é de seu temperamento deixar passar situações como essa. E, para que sejamos justos, não saiu do nada. Ele foi perguntado na entrevista sobre as declarações de Scholes. Também não há grande problema nisso porque é uma disputa de opiniões.

Não é a primeira vez que o português faz isso. Ele já atacou Jamie Redknapp em 2015 e disse que gostaria de ver mais ex-jogadores do Chelsea como comentaristas para defenderem o clube. O que é uma bobagem, porque há vários! Talvez esta lembrança desperte o motivo do incômodo de Mourinho com Scholes. Scholesy é um ex-United. Mais do que isso. É um grande jogador do clube, um dos maiores que passaram por Old Trafford. É possível que, na cabeça de Mou, Paul tenha de zelar pela imagem da equipe, não atacá-la.

Chega a ser curioso que alguém tão calado quanto Scholes era quando jogador tenha virado comentarista (mesmo que esporádico) tão contundente e afiado. Quem tiver melhor memória vai se recordar que ele provocou uma reação semelhante em Louis van Gaal.

Mas por que Scholes teria a obrigação de defender o United? Gostar do clube é uma coisa, mas é óbvio que ele é pago para dar opiniões e dizer o que pensa. É possível condená-lo por fazer exatamente isso? A verdade é que para o bem e para o mal (na maioria das vezes para o bem), Mourinho parece ser um técnico gaúcho, daqueles que adoram a escola de que o time só está bem quando adota a filosofia de “nós contra o mundo”.

Pensando bem, não é tão raro assim. Sir Alex Ferguson fez maravilhas no Aberdeen e um dos argumentos que mais usava era que toda a “elite de Glasgow” estava contra eles. Apoiado nisso, conseguiu ganhar a final da Recopa da Europa contra o Real Madrid.

O cerne da questão é se Scholes tinha razão ou não nas críticas.

Pogba tem jogado como alguém comprado por 90 milhões de libras? O futebol tem sido bom? Mourinho tem responsabilidade nisso?

Não. Não. Sim.

É inegável que os últimos jogos foram ruins (nem cito a Carabao Cup) e foram pontos perdidos contra Leicester e Burnley. Mas fica a impressão de que 2017 foi um ano terrível para o Manchester United, o que é 100% falso. Com Mourinho e o elenco em reconstrução (um processo que ainda está em andamento), a equipe foi campeã em Wembley, venceu a Liga Europa e voltou à Champions, o que era a prioridade da última temporada. Fez uma boa fase de grupos na CL, foi primeiro do grupo e pegou um adversário bem aceitável nas oitavas.

Um pouco de perspectiva é bom.

A resposta de Mourinho a Scholes ofuscou o que aconteceu nos 90 minutos em Goodison.

1. Pogba atua muito melhor quando tem liberdade em campo, chegando ao ataque para armar o jogo e protegido por uma dupla de volantes (Matic e Herrera);

2. O crescimento de Lingard tem sido considerável nesta temporada e se Guardiola ganha crédito por ter melhorado Sterling, Mourinho merece os mesmos elogios pela evolução de Jesse;

3. Com as costas na parede pela vitória do Liverpool sobre o Burnley, o United respondeu bem e teve atuação, especialmente no segundo tempo, boa;

4. Pouco destaque foi dada a outra afirmação de Mourinho após o jogo de que é possível que um reforço seja contratado em janeiro.

Tenhamos calma.

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A entrevista de Giggs para “The Times”

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Ryan Giggs deu uma muito interessante entrevista para o The Times, publicada na última sexta-feira (22/12, o link requer assinatura).

Ele revela que indicou para o Manchester United, muito antes de se tornarem valorizados, as contratações de Mbappé e Gabriel Jesus. E que discutiu com van Gaal, discordando das vendas de Rafael, Welbeck e Evans (“United players through and through”, definiu).

Giggsy se candidata ao cargo de técnico da seleção galesa, que seria enfim sua primeira oportunidade como manager. Ele espera isso há 18 meses, depois de não receber nenhuma oferta concreta e ter sido preterido no Swansea por Bob Bradley.

O mais interessante é que ele soa um pouco amargo por não ter sido escolhido para suceder Louis van Gaal. Diz que ficou sabendo da troca de treinadores no dia da final da FA Cup de 2016, contra o Crystal Palace e opina que poderia ter oferecido continuidade no clube (“Eu reconheço um jogador do Manchester United quando vejo um”, afirma).

Soa estranho porque ele deveria ter percebido que, naquele momento, maio de 2016, o clube não precisava de “continuidade”, especialmente alguém que seguisse o estilo van Gaal, que parecia esperar ver a torcida morrer de tédio. Era óbvio que o board iria atrás de alguém que pudesse recolocar o United no topo (ou pelo menos brigar para isso) e escolheu o melhor treinador que havia disponível no mercado.

Um jogador soberbo, um dos cinco maiores da história do Manchester United, Giggs sobrevalorizou seu apelo (deu um pouco de azar também), principalmente quando declara não ter atenção de começar em uma equipe das divisões inferiores e que recusou coordenar as categorias de base em Carrington, cargo que acabou oferecido a Nick Butt. Na Premier League, as oportunidades são limitadas a apenas 20 equipes.

Torço por Giggs e o dia que voltar a Old Trafford será sensacional. Mas ele não poderia, realisticamente, esperar ser escolhido para suceder van Gaal…

 

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Quando José Mourinho está certo mas também está errado

Mourinho

Sir Bobby Charlton foi a força propulsora que impediu (ou pelo menos ajudou a impedir) José Mourinho de ser o técnico do Manchester United em 2013, quando Sir Alex decidiu se aposentar. Não que Ferguson quisesse que o português fosse seu sucessor. Tanto que escolheu David Moyes. Bem, o objetivo deste post não é esmiuçar este assunto…

Mas Charlton acreditava (ainda deve acreditar) que Mourinho era uma figura controversa demais, capaz de rachar qualquer elenco e que não conseguiria fazer um trabalho de longo prazo. O problema, que quase ninguém percebeu na época, é que o United não precisava de continuidade. Necessitava de reconstrução. Os títulos ingleses de 2011 e 2013 (assim como a ida à final da Champions League de 2011) se devem mais ao gênio de Ferguson do que a qualquer outra coisa. O que era bom enquanto ele estava lá, mas se tornou um enorme problema quando saiu.

Não é de hoje que há rumores sobre a insatisfação de José com Ed Woodward. Ele ainda não engoliu a não contratação de Perisic. De novo: sem entrar no mérito da qualidade do reforço… E (ainda de acordo com os boatos) reclama que no Manchester United tudo é burocrático demais, demora muito e nada pode ser feito imediatamente. Este não é o estilo do português.

Números são números. O Manchester United com Mourinho gastou 85 milhões de libras menos em jogadores do que o City.

Em uma temporada e meia, José ganhou dois títulos. São dois troféus a mais do que Klopp (um treinador que não pode entrar no mar, senão mais da metade da imprensa vai morrer afogada) ganhou em duas temporadas e meia no Liverpool.

A explosão estava vindo. Era possível notar pelo tom das entrevistas, pela linguagem corporal de Mourinho… Até que aconteceu após o empate com o Burnley.

“Você não acha que Milan é tão grande quanto nós? Real Madrid não é tão grande quanto nós? Inter de Milão não é tão grande quanto nós? Há muitos clubes grandes. Eu sei o que é um clube grande. Uma coisa é um clube grande. Outra coisa é um grande time de futebol. São duas coisas diferentes. Estamos no segundo ano, tentando reconstruir um time de futebol que não está entre os melhores do mundo (…) Manchester City compra laterais pelo preço de atacantes. Você fala sobre grandes clubes de futebol, está falando da história. (300 milhões de libras em reforços) Não é o bastante. Não é o bastante. Para os grandes clubes, o preço é diferente e são punidos no mercado.”

Foi uma declaração forte no pós-jogo do Boxing Day. Como costuma acontecer, José tem uma dose de razão, mas é capaz de despertar tantas paixões e ódios, que seus detratores não conseguem enxergar isso. Mas ao mesmo tempo, seus defensores ferrenhos (Duncan Castles, um passo à frente…) não veem onde o treinador está errado.

O United está em um processo de reconstrução que está levando tempo demais.  Não por culpa do treinador. Mourinho colocou Nick Butt para cuidar da academia e tenta deixar o elenco mais forte. Sir Alex Ferguson deixou um grupo enfraquecido para Moyes, que só fez duas contratações (Fellaini e Mata) e passou o bastão para Louis van Gaal.

Alguém se lembra do balanço de mercado van Gaal? É inacreditavelmente ruim. Falcao Garcia, Di María, Schweinsteinger, Memphis Depay, Blind, Darmian… Para não dizer que não acertou em nada, teve Herrera e Martial. Rojo e Romero são ok.

Pior do que isso, ele nem sequer se preocupou em negociar por mais dinheiro por Chicharito, Welbeck e Rafael (Rafael é pior do que Darmian? Em que mundo?).

Mourinho tem razão quando fala em “reconstrução”. Atrapalha o fato de o Manchester City estar jogando isso tudo, o que coloca pressão sobre o United. E também hoje em dia há essa chatice das redes sociais, onde uma derrota (ou empate) é o fim do mundo e os jornalistas apenas ajudam a fomentar isso porque manchetes chamativas rendem mais cliques… Essa história toda.

Nas entrelinhas, Mourinho afirma precisar de tempo e dinheiro. É verdade. Ele merece ambos.

Mas…

Não é por causa da falta de investimento que o Manchester United empatou com Leicester e Burnley. Ou perdeu para o Huddersfield. Não foi por causa de dinheiro que Lingard driblou o goleiro e chutou na trave ou que a incrível displicência ofensiva dos jogadores levou ao empate do Leicester no último lance da partida.

Não foi pela falta de dinheiro que o Burnley, que estava sem três dos seus quatro principais zagueiros, anulou o United por grande parte do jogo. Não foi por falta de dinheiro que o United passou grande parte do dérbi dando balões da defesa para o ataque esperando que Lukaku raspasse alguma bola para Martial ou Rashford marcarem.

Foi com dinheiro que Mourinho contratou Mkhitaryan, um jogador que até agora não justificou o investimento e que não acertou um mísero passe de cinco metros contra o Burnley.

Então, se realmente os Glazers precisam de maior comprometimento no mercado para que Mourinho tenha reforços, a diferença de 15 pontos para o City não se justifica por isso.

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Where did it all go wrong?

derby

 

Este é o título de uma das minhas músicas favoritas do Oasis. Creio ser a última faixa do “Standing on the Shoulder of Giants”, o pior disco da banda. Foi escrita por Noel Gallagher, convidado da Sky Sports para participar do intervalo e do pós-jogo em Old Trafford.

Vários torcedores do Manchester United se incomodaram com a mordaz presença de Noel, torcedor do Manchester City, ao lado de Gary Neville e Graeme Souness. Geralmente não gosto, mas não me incomodou porque é uma ocasião muito especial. Se ficar nisso, como algo “especial”, tudo bem. Artistas toda semana comentando futebol… Thanks but no, thanks.

O que incomoda de verdade é o que aconteceu em campo pelos 90 minutos. Ok, a ausência de Pogba priva o time de uma força criadora importante. Mas se existia um momento propício para enfrentar o Manchester City, era aquele. Eles vinham de vitórias sofridas atrás de vitórias sofridas, apenas escapando com os três pontos nos minutos finais. Haviam sido derrotados pelo Shakhtar Donetsk. Era a chance de o United voltar à briga pelo título.

Não seria a primeira vez que Mourinho aceitaria dar o controle da posse de bola para os noisy neighbours e tentar acertar o contra-ataque. Fiquei animado quando vi Martial, Rashford e Lingard juntos na escalação. Mas eles passaram grande parte da partida apenas correndo atrás dos laterais do City na marcação.

Creio que a estratégia de José poderia ter dar certo se os lançamentos pelo alto na direção de Lukaku, Martial, Rashford saíssem do campo de ataque, pelas laterais. A zaga do City continua suspeita. Não foi assim que saiu o gol de Marcus? Mas não era viável passar grande parte da partida rifando a bola da defesa buscando o desvio de Lukaku lá na frente. Não foi porque deu certo contra o Tottenham que funcionará em todos os jogos importantes.

Guardiola foi ousado e montou um esquema que matou o United. Os jogadores mais ofensivos formavam um retângulo na entrada da área e encaixotavam os adversários de uma forma que, se perdessem a bola, eles estavam tão recuados que não conseguiriam encaixar o contra-ataque. Foi uma das raras vezes sob o comando do português que foi possível ouvir Stretford End gritando “attack, attack, attack”, com a torcida incomodada com o atuação.

Na temporada passada, ele havia armado o mesmo esquema. Foi derrotado por erros defensivos escandalosos, como aconteceu no domingo. Isso deve consumi-lo por dentro. Apesar de todo o domínio territorial do City, os gols saíram de falhas ridículas, estúpidas na defesa. Quando ele observou isso na entrevista pós-jogo, teve razão. O mesmo não aconteceu ao reclamar de pênalti não marcado sobre Herrera. Não houve, diferentemente de 2016, quando Claudio Bravo fez uma falta escandalosa em Rooney quando o United perdia por 2 a 1.

O caso mais difícil de analisar é o de Lukaku. Não concordo com grande parte das críticas que recebe. Ele tem se esforçado, aberto espaços, pedido a bola e sofrido com a falta de passes em condições de finalizar. E ele é um centroavante finalizador. Contra o City, aconteceu a mesma coisa. Deu até pena de tão isolado que estava lá na frente. Mas..

. Ele não pode, em uma situação como aquela, perder oportunidade dentro da pequena área e sozinho. Não dá para aceitar aquilo.

O passado está no passado. O City tem 11 pontos de vantagem e é o virtual campeão inglês. Sobram a Champions League (Sevilla era um dos adversários que eu queria), a FA Cup (Derby em casa não deve ser problema) e a League Cup (Bristol, fora). Confesso que a situação em campo me preocupa. Porque o United não joga tão bem quanto esperávamos e tem tido resultados decepcionantes (as atuações contra Huddersfield e Chelsea foram abaixo da crítica). Mourinho parece deluded em alguns momentos, dizendo não querer saber de análises porque houve pênalti sobre Herrera.

Na Premier League sobra ficar no top 4 e se classificar para a Champions League. Isso é… Se o Manchester United não se garantir conquistando o título europeu nesta temporada.

Acho que eu também estou um pouco deluded. Mas não custa sonhar.

PS. Algum tempo sem atualização por causa de viagens para a Rússia e muito trabalho. Espero voltar à regularidade anterior.

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Vaias a Lukaku lembram a ira de Roy Keane há 17 anos (saudades desse tempo)

Lukaku

Foi possível ouvir pela TV as vaias quando Rashford saiu para dar entrada a Martial. Mas não percebi que o descontentamento era por Lukaku continuar em campo. Gente que estava em Old Trafford no sábado relatou depois que já no primeiro tempo, cada vez que Lukaku perdia uma disputa no ataque, era possível perceber os resmungos de descontentamento.

Mourinho defendeu seu centroavante após o jogo e voltou a fazê-lo nesta segunda, quando deu entrevista coletiva um dia antes da partida contra o Benfica. Disse que o atacante “é intocável” para o treinador e deveria sê-lo também para os torcedores.

Por partes.

É um palpite, claro, mas acho que veremos uma onda de apoio para o belga contra o Benfica. Porque a maioria que está contente com o desempenho dele (são 11 gols em 15 jogos, afinal) vai aplaudi-lo e calar a minoria. Mais ou menos como o episódio da prawn sandwich brigade em 2000. Curiosamente, meu primeiro jogo em Old Trafford (saudades). É incrível que já tenham se passado 17 anos. Why did the years go?, perguntaria Morrissey.

O estádio ficou quieto de forma pouco usual em uma partida decisiva da fase de grupos da Champions League, que o United precisava vencer para avançar. Foi 1 a 0, gol de Sheringham. Roy Keane being Roy Keane, depois da partida detonou a atmosfera, reclamando dos torcedores que iam apenas para comer sanduíches e reclamar. Três dias depois, diante do Middlesbrough (2 a 1, Butt e Shergingham), o grito de “Keano” reverberou em Old Trafford por 90 minutos.

Para os torcedores mais antigos, é um choque ver um jogador vestindo a camisa do Manchester United ser vaiado. Você não faz isso, em hipótese alguma. Se houve indignação quando Fellaini foi apupado há dois anos, em uma partida de pré-temporada contra o Valencia, imagine Lukaku em um confronto da Premier League…

E não faz qualquer sentido vaiá-lo. Ok, ele está há cinco partidas sem marcar. Mas seria loucura tirá-lo de campo contra o Tottenham porque é sempre o foco do ataque e Mourinho começou a apostar, no segundo tempo, em lançamentos longos para o belga desviar de cabeça.

Como saiu o gol? Quem marcou? Jose knows best.

Lukaku não anota há cinco partidas, mas deu o passe para gols contra Tottenham e Huddersfield. Uma partida em que Martial começou e foi mal.

Ouvindo o podcast do United We Stand, um senhor de certa idade, o que foi possível perceber pela voz, disse que os anos de Alex Ferguson mimaram o torcedor do Manchester United. Contra fatos, não há argumentos.

Confesso que tenho atenção dobrada às entrevistas de Mourinho. Não porque ele tenha argumentos especiais para defender seus pontos de vista, mas porque quero prestar atenção mais ao jeito que ele diz as coisas do que às palavras em si. A linguagem corporal. Não o vejo muito confortável no cargo nesta segunda temporada. Ele pode estar descontente porque não teve o investimento em reforços que gostaria, pode estar incomodado porque a lesão de Pogba comprometeu os planos. Pode estar unsettled pela possibilidade de ir dirigir o Paris Saint-Germain. Pode ser tudo coisa da minha cabeça.

Sabe-se lá…

Mas tudo o que o Manchester United não pode em um futuro próximo é começar mais um trabalho do zero.

 

“Lads, it’s Tottenham”

united rooney

Foi Roy Keane quem contou a história em “Second Half”, aquela segunda autobiografia que fez para atacar Alex Ferguson.

Fergie não dava instruções no vestiário antes de jogos contra os Spurs.  Dizia apenas:

“Lads, it’s Tottenham.”

E mandava os jogadores entravam em campo.

A mensagem era simples. Eles têm uniforme bonito, tocam a bola de lá para cá, fazem um gol de vez em quando e nós vamos passar por cima.

Os Spurs melhoraram nos últimos anos. Com Pochettino, evoluíram bastante. Mas de  certa forma, continuam uma versão mais potencializada do que eram na época de Ferguson. Atuam com intensidade, Harry Kane faz muitos gols, Lloris é bom goleiro, Heung Min-Son é um dos jogadores mais subvalorizados da Premier League… Mas ganharam o quê?

Apesar da evolução, o retrospecto recente do United é bom. Vitórias em Old Trafford nas três últimas temporadas. Perdeu em 2013-14, na fatídica administração David Moyes, porque o juiz ignorou um pênalti escandaloso em Nani. Até com aquela instrução ridícula de van Gaal, de que os atacantes não podiam finalizar de primeira na área, tinham de dominar a bola antes de chutar, a equipe venceu por 1 a 0 em 2015.

Sem Harry Kane, o argentino poderá optar pelo mais simples: escalar Llorente, um centroavante mais lento, menos móvel, mas que dá trabalho para os zagueiros na área, ou mudar o esquema e colocar Son como atacante. Se perde em poder de fogo, ganha em velocidade. Após o resultado em Huddersfield, seria inteligente Pochettino apostar em um jogo mais contido na defesa à espera que, com o passar do tempo o United avence mais e mais, oferecendo espaço para o contra-ataque.

O Manchester United precisa voltar a ganhar a disputa no miolo do meio-campo. Herrera tem de mostrar mais. De preferência, o futebol da temporada passada. Depois da partida de terça-feira, por que não Lingard e Rashford nas pontas? Pelo menos até Mkhitaryan perceber que a temporada já começou…

Com a distância para a liderança em cinco pontos, o mínimo que podemos esperar é que a equipe de Mourinho não permita o aumento da diferença. Em uma visão BEM otimista, vamos sonhar que Tony Pulis, o senhor retranca, tenha aprendido a lição deixada pelo Wolverhampton e possa conseguir alguma coisa contra o City.

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