Quando José Mourinho está certo mas também está errado

Mourinho

Sir Bobby Charlton foi a força propulsora que impediu (ou pelo menos ajudou a impedir) José Mourinho de ser o técnico do Manchester United em 2013, quando Sir Alex decidiu se aposentar. Não que Ferguson quisesse que o português fosse seu sucessor. Tanto que escolheu David Moyes. Bem, o objetivo deste post não é esmiuçar este assunto…

Mas Charlton acreditava (ainda deve acreditar) que Mourinho era uma figura controversa demais, capaz de rachar qualquer elenco e que não conseguiria fazer um trabalho de longo prazo. O problema, que quase ninguém percebeu na época, é que o United não precisava de continuidade. Necessitava de reconstrução. Os títulos ingleses de 2011 e 2013 (assim como a ida à final da Champions League de 2011) se devem mais ao gênio de Ferguson do que a qualquer outra coisa. O que era bom enquanto ele estava lá, mas se tornou um enorme problema quando saiu.

Não é de hoje que há rumores sobre a insatisfação de José com Ed Woodward. Ele ainda não engoliu a não contratação de Perisic. De novo: sem entrar no mérito da qualidade do reforço… E (ainda de acordo com os boatos) reclama que no Manchester United tudo é burocrático demais, demora muito e nada pode ser feito imediatamente. Este não é o estilo do português.

Números são números. O Manchester United com Mourinho gastou 85 milhões de libras menos em jogadores do que o City.

Em uma temporada e meia, José ganhou dois títulos. São dois troféus a mais do que Klopp (um treinador que não pode entrar no mar, senão mais da metade da imprensa vai morrer afogada) ganhou em duas temporadas e meia no Liverpool.

A explosão estava vindo. Era possível notar pelo tom das entrevistas, pela linguagem corporal de Mourinho… Até que aconteceu após o empate com o Burnley.

“Você não acha que Milan é tão grande quanto nós? Real Madrid não é tão grande quanto nós? Inter de Milão não é tão grande quanto nós? Há muitos clubes grandes. Eu sei o que é um clube grande. Uma coisa é um clube grande. Outra coisa é um grande time de futebol. São duas coisas diferentes. Estamos no segundo ano, tentando reconstruir um time de futebol que não está entre os melhores do mundo (…) Manchester City compra laterais pelo preço de atacantes. Você fala sobre grandes clubes de futebol, está falando da história. (300 milhões de libras em reforços) Não é o bastante. Não é o bastante. Para os grandes clubes, o preço é diferente e são punidos no mercado.”

Foi uma declaração forte no pós-jogo do Boxing Day. Como costuma acontecer, José tem uma dose de razão, mas é capaz de despertar tantas paixões e ódios, que seus detratores não conseguem enxergar isso. Mas ao mesmo tempo, seus defensores ferrenhos (Duncan Castles, um passo à frente…) não veem onde o treinador está errado.

O United está em um processo de reconstrução que está levando tempo demais.  Não por culpa do treinador. Mourinho colocou Nick Butt para cuidar da academia e tenta deixar o elenco mais forte. Sir Alex Ferguson deixou um grupo enfraquecido para Moyes, que só fez duas contratações (Fellaini e Mata) e passou o bastão para Louis van Gaal.

Alguém se lembra do balanço de mercado van Gaal? É inacreditavelmente ruim. Falcao Garcia, Di María, Schweinsteinger, Memphis Depay, Blind, Darmian… Para não dizer que não acertou em nada, teve Herrera e Martial. Rojo e Romero são ok.

Pior do que isso, ele nem sequer se preocupou em negociar por mais dinheiro por Chicharito, Welbeck e Rafael (Rafael é pior do que Darmian? Em que mundo?).

Mourinho tem razão quando fala em “reconstrução”. Atrapalha o fato de o Manchester City estar jogando isso tudo, o que coloca pressão sobre o United. E também hoje em dia há essa chatice das redes sociais, onde uma derrota (ou empate) é o fim do mundo e os jornalistas apenas ajudam a fomentar isso porque manchetes chamativas rendem mais cliques… Essa história toda.

Nas entrelinhas, Mourinho afirma precisar de tempo e dinheiro. É verdade. Ele merece ambos.

Mas…

Não é por causa da falta de investimento que o Manchester United empatou com Leicester e Burnley. Ou perdeu para o Huddersfield. Não foi por causa de dinheiro que Lingard driblou o goleiro e chutou na trave ou que a incrível displicência ofensiva dos jogadores levou ao empate do Leicester no último lance da partida.

Não foi pela falta de dinheiro que o Burnley, que estava sem três dos seus quatro principais zagueiros, anulou o United por grande parte do jogo. Não foi por falta de dinheiro que o United passou grande parte do dérbi dando balões da defesa para o ataque esperando que Lukaku raspasse alguma bola para Martial ou Rashford marcarem.

Foi com dinheiro que Mourinho contratou Mkhitaryan, um jogador que até agora não justificou o investimento e que não acertou um mísero passe de cinco metros contra o Burnley.

Então, se realmente os Glazers precisam de maior comprometimento no mercado para que Mourinho tenha reforços, a diferença de 15 pontos para o City não se justifica por isso.

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