De volta! E com cinco jogos memoráveis em Anfield

2007

 

Voltamos após algumas semanas, quatro viagens e trabalho insano. Mas claro, acompanhando o maior clube de futebol do planeta. O momento de voltar é antes do maior clássico do futebol britânico, contra o Live*****l neste sábado.

Uma rivalidade que não é apenas dois times, mas de duas cidades. De quando o porto de Liverpool resolveu extorquir a cidade vizinha para despachar a produção das indústrias, Manchester deu um V sign para eles e construiu o ship tunnel. Mas inegável que, como muitas vezes acontece, é uma inimizade (ódio muitas vezes) que nasce também mais das semelhanças do que das diferenças (isso fica para um outro texto, talvez para o jogo do returno)

O Brazilian Red Devils faz uma lista bem específica. Cinco jogos memoráveis em Anfield pelo Campeonato Inglês entre Manchester United e eles… A ordem é cronológica.

 

5. Liverpool 3-3 Manchester United (4 de abril de 1988)

robson

O locutor de Anfield, para tentar reduzir o tóxico ambiente entre os dois times naqueles anos 80, deu boas vindas “to our friends from the other side of the M62”. Levou vaia que durou mais de um minuto.

O Manchester United possuía bom time, mas que não se comparava, infelizmente, ao que eles tinham. Aquele elenco 1987-1988 do Liverpool foi o melhor que tiveram por lá. Líderes da antiga Division One, chegaram ao clássico com 11 pontos de vantagem sobre o United e dois jogos a menos.

Não que Alex Ferguson tivesse material ruim. Viv Anderson, Steve Bruce, Paul McGrath, Bryan Robson, Gordon Strachan e Brian McClair eram titulares. O que ficou claro quando The Captain Marvel abriu o placar logo aos três minutos.

Por mais estranho que pareça, o Liverpool, no auge, tinha dificuldade para ganhar do United. No primeiro turno, em Old Trafford, havia sido 1 a 1. E se AQUELE time de Dalglish não conseguisse vencer o grande rival, qual conseguiria?

No começo do segundo tempo. o Liverpool vencia por 3 a 1 (Bearsdley, Gillespie e McMahon) e tudo parecia encaminhado.

Quase derrotado em campo, o United precisava de um golpe de sorte. Este veio aos 66 min, quando chute de Robson desviou na zaga e enganou Grobbelaar. A equipe cresceu em campo e, aos 77, Peter Davenport deu passe perfeito para Gordon Strachan sair na cara do gol. Ele esperou, esperou, esperou e quando viu que o goleiro não sairia, tocou no canto direito.

 

4. Liverpool 3-3 Manchester United (4 de janeiro de 1994)

giggs

O caminho inverteu. O Manchester United era a força dominante do futebol inglês, campeão nacional e em vias de fazer o double. O Liverpool entrava na mesma era em que está até agora: vivendo do passado.

O clássico começou perfeito para os visitantes. Após 23 minutos, venciam por 3 a 0, com gols de Bruce, Giggs (um golaço) e Irwin (de falta). Estava fácil demais e a equipe criava uma oportunidade depois da outra. Parecia que seria goleada histórica.

Até que aos 25, Nigel Clough (filho de Brian Clough que, no Nottingham Forest não o chamava pelo nome. Era apenas “our number nine”) acertou chute de fora da área. Por algum motivo, o United entrou em parafuso e Clough anotou outro antes do intervalo. O United perdeu um caminhão de chances para fazer o quarto (Giggs furou dentro da pequena área com o Grobbelaar caído). Neil Ruddock (of all people!) empatou de cabeça aos 79.

No pós-jogo, Alex Ferguson e Peter Schmeichel tiveram a mãe de todas os bate-bocas entre técnicos e jogador. Fergie estava furioso porque achou que o goleiro teve péssima reposição de bola e foi o responsável pela pressão que o time sofreu. O dinamarquês respondeu de forma mais dura. Questionou a capacidade tática do chefe. Saiu do estádio e telefonou para o seu empresário ordenando que achasse outra equipe porque não atuaria mais para Ferguson.

No dia seguinte, de cabeça mais fria, foi pedir desculpas.

“Suas desculpas estão aceitas. Mas eu vou ter de negociar você com outro clube”, foi a resposta do treinador.

Schmeichel foi para o vestiário esvaziar seu armário. Reuniu os jogadores e pediu desculpas pela confusão. Assumiu a culpa pelo que aconteceu. Ferguson estava ouvindo tudo no corredor, sem ser notado.

Foi o que salvou a carreira do maior goleiro da história em Old Trafford. Ele sairia apenas depois do Treble, em 1999.

 

3. Liverpool 1-3 Manchester United (19 de abril de 1997)

pallister

O clima era festivo em Anfield. Na reta final da Premier League, o United era líder, mas o Liverpool tinha a chance de encostar de vez e abrir a disputa pelo título. Muitos torcedores deles deveriam estar repetindo o que dizem todos os anos. This is our year.

Alex Ferguson vivia a dor de cabeça de acumular partidas decisivas. Na quarta-feira seguinte, teria o jogo de volta das semifinais da Champions League contra o Borussia Dortmund (o Manchester United perdeu os dois confrontos por 1 a 0 desperdiçando um caminhão de gols nos 180 minutos. Sério: foi absurdo). Andy Cole começou no ataque, em vez de Solskjaer.

Para colocar sal na ferida do Liverpool, o artilheiro em campo não foi nenhum atacante. Gary Pallister fez 12 gols em nove anos em Old Trafford. Na temporada 1992-1993, quando acabou o inferno de 26 anos sem título inglês, todos os jogadores do elenco anotaram na temporada, menos Pally. Na última rodada, contra o Blackburn, o zagueiro foi empurrado para bater uma falta da entrada da área e tentar fazer o gol. Ele provavelmente jamais havia feito uma cobrança na vida. Mas foi lá e marcou.

Naquela tarde de abril, em Anfield, Gary Pallister fez dois gols. Ambos de cabeça em dois escanteios. No segundo tempo, quando o Liverpool mais pressionava pelo empate, David James entregou o ouro para Andy Cole definir a vitória do Manchester United. Foi, na prática, o jogo do título.

 

2. Liverpool 1-2 Manchester United (2 de dezembro de 2002)

forlan 2

Volta e meia, você pode até identificar a música em Old Trafford, mesmo pela televisão.

“Diego, ôôôô, Diego, ôôôô. He came from Uruguay, he made de Scousers cry”.

Depois de um começo ruim ao ser contratado, ainda na temporada 2001-2002, Diego Forlán fez gols fundamentais na campanha do título da Premier League de 2002-2003. Contra Southampton, Chelsea, Aston Villa… Mas ele entrou no folclore por causa de dois que marcou em Anfield.

É memorável para o torcedor do United também porque Jerzy Dudek teve uma das atuações mais patéticas de um goleiro neste clássico. Mais do que David James. Com o jogo equilibrado no segundo tempo, o polonês deixou a bola passar pelo meio de suas pernas e sobrar livre para o uruguaio empurrar para o gol. Forlán depois ainda faria o segundo em um chute da entrada da área que Dudek foi com mão de alface e não conseguiu espalmar.

Depois que saiu do clube, o atacante seria um dos maiores artilheiros da Europa por Villarreal e Atlético de Madrid. Foi eleito o melhor da Copa de 2010. Mas sua imagem está ligada de maneira irremediável àquele clássico em Anfield no final de 2002.

Por causa disso, quase ninguém lembra que, nos minutos finais e com o placar 2 a 1, Barthez fez uma defesa espetacular em arremate de Dietmar Hamann, a mais bonita que fez com a camisa do Manchester United.

E na temporada seguinte, Dudek levaria um frango espetacular que nos daria outra vitória em Anfield.

 

1. Liverpool 0-1 Manchester United (3 de março de 2007)

SPT IHN 030307-23

Se não foi a vitória sobre o Liverpool que mais comemorei (tirando as duas em que estava em Old Trafford), chega perto. Reta final da Premier League, Manchester United se agarrando á liderança e tentando voltar a ser campeão depois de quatro anos, com um jogador a menos em Anfield e nos acréscimos. Foi quando John O’Shea fez nascer a música.

“When Johnny’s marching down the wing… O’Shea, O’Shea. When Johnny’s marching down the wing… O’Shea, O’Shea. When Johnny’s marching down the wing the Stretford End will fucking sing: WE ALL KNOW THAT JOHNNY’S GOING TO SCORE”.

Nos primeiros 85 minutos, o jogo teve muito pouco de memorável, como é a regra em Anfield. Curioso que à exceção de Van Gaal (VAN GAAL!) nenhum técnico do United desde Sir Alex Ferguson vai para a jugular contra o Liverpool fora de casa. Tem um posicionamento mais cauteloso. Fergie também era assim e este foi o comportamento da equipe.

Para dizer a verdade, eles também não criaram muito, a não ser por lance em que Peter Crouch obrigou Van der Sar a fazer uma grande defesa. Saha foi derrubado na área em um pênalti escandaloso não marcado pela arbitragem.

Foi neste ritmo até que Paul Scholes tentou acertar um soco em Xabi Alonso. Até hoje não sabemos o motivo, mas temos certeza que Scholesy estava certo. O United se fechou até, que nos acréscimos, houve uma falta na lateral. Cristiano Ronaldo foi bater e não era segredo algum que ele tentaria chutar direto. Reina sabia. Mesmo assim, largou a bola… Nos pés de O’Shea.

Gary Neville foi comemorar abraçado a Van der Sar em frente aos torcedores visitantes. A imagem de O’Shea correndo com os braços abertos, com a expressão de quem não acreditava no que tinha acabado de acontecer… Ainda não tem preço, tantos anos depois.

When Johnny’s marching down the wing… O’Shea, O’Shea”

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