A primeira temporada de José

Mourinho

Não acabou, claro, mas talvez seja hora de analisar o que foi a primeira temporada de José Mourinho no Manchester United.

Restam dois jogos e cada um reserva interesses diferentes. Domingo, a curiosidade será ver como garotos como Angel Gomes, Zak Dearnley ou Scott McTominay  vão se comportar em partida de Premier League com estádio lotado. Todos eles já atuaram em Old Trafford, mas com lotação de Youth Cup ou de jogos da equipe reserva.

Quarta-feira vai acontecer a partida mais importante de todas, a determinar se a temporada do United terá sido um sucesso ou não. Porque a equipe precisa estar na próxima Champions League. Outro ano de Europa League seria frustrante dentro de campo, ruim nas finanças e outro golpe na aura de clube vencedor cultivada durante décadas.

É nítido que Mourinho está desesperado para acertar e fazer o Manchester United voltar a ser campeão. Ele precisa disso depois da saída do Chelsea. O clube também necessita que as bases a longo prazo sejam montadas porque é óbvio: José não é Ferguson. Ele não vai ficar 20 anos no comando do time.

A caminhada teve tropeços, acertos e incompreensões. Mourinho herdou elenco que precisava de uma reformulação profunda e que não foi ainda terminada. Uma mudança que já era necessária quando Sir Alex estava no clube e cuidava do dinheiro dos Glazers como se fosse dele mesmo (“não existe valor no mercado” ele dizia cada vez que não contratava ninguém). Os dois últimos títulos de Premier League (2011 e 2013) foram conquistados quase exclusivamente por causa do gênio e da força da personalidade de Alexander Chapman Ferguson. Sim, em 2013 os gols de Robin van Persie carregaram o ataque, mas foi Fergie quem percebeu que o holandês era a peça necessária para tirar do City o título.

Talvez se Mourinho tivesse sido o escolhido em 2013, a transição de treinadores teria sido mais tranquila. Como o próprio português queria, aliás. Sir Alex e Sir Bobby Charlton, não. Mas isso são águas passadas e desperdiçadas que passaram sob as pontes de David Moyes e Louis van Gaal.

O mais frustrante na primeira temporada de Mourinho é perceber que esta foi a Premier League mais fraca dos últimos dez anos e que o United poderia, com facilidade (muita facilidade) conquistar a vaga na Champions League ficando entre os quatro primeiros. Analisemos até o jogo contra o Swansea, aquele que fez realmente o time abrir mão do campeonato nacional e centrar fogo na Europa League.

Naquele momento, a equipe estava a dois pontos do Manchester City e a três do Liverpool. Vamos contar apenas três jogos em que o United dominou o adversário em casa de forma avassaladora e não saiu com os três pontos: Stoke, Burnley e Arsenal. Três empates. Colocados mais seis pontos para o United naquele momento, Mourinho estaria mais preocupado em alcançar o Tottenham do que o City.

A quantidade de empates em casa, além de irritantes (claro), demonstram que Mourinho não conseguiu restaurar – esperemos que isso mude logo – a aura do Manchester United em Old Trafford. A partir do momento em que o barco de Moyes começou a fazer água, os outros times perceberam ser possível sair da Sir Matt Busby Way com um resultado. Tantas e tantas vezes o United entrou em campo vencedor porque era possível detectar o medo nos olhos dos adversários…

O Manchester United perdeu a capacidade de conseguir o gol nos momentos mais críticos e os jogadores não sabem mais o que é a definição de Ryan Giggs: “se estivéssemos perdendo por 2 a 0 em Old Trafford aos 30 do segundo tempo, bastava um gol para o rival saber que iríamos virar o jogo”.

Mourinho adotou táticas difíceis de entender mais de uma vez. Na semifinal contra o Celta de Vigo, a equipe passou um sufoco desnecessário. O jogo estava sob o controle até o momento que Fellaini fez o gol. Depois disso, recuou, recuou e recuou, encorajando os espanhóis a acreditarem.

Mas Mourinho ainda é o master tactician. Ele anulou o Chelsea duas vezes na temporada e o United só perdeu na FA Cup por causa da expulsão de Herrera, cortesia de Michael Oliver, especialista em tomar decisões erradas em jogos decisivos. Com o português no comando, a defesa ganhou solidez, Valencia se tornou o melhor lateral direito da Premier League e Marcos Rojo renasceu como zagueiro. Herrera achou sua posição em campo.

As categorias de base passam por uma mudança que o clube precisava para parar de perder jovens revelações para os noisy neighbours.

O ataque teve problemas. Se os gols de Ibrahimovic foram exatamente o que o time necessitava, faltou criatividade ao meio-campo e há a tendência em forçar jogadas pelas laterais que resultam em cruzamentos inócuos à área. Poucas vezes o United teve criatividade para montar jogadas pelo meio e os rivais sabem disso. Martial poderia ser o nome a fazer a diferença, mas sua temporada foi marcada pelas atuações ruins, comentários sobre atitude displicente nos treinos e problemas pessoais. A série de lesões sérias que o elenco sofreu durante a temporada também atrapalharam. Muito.

Poucas vezes ouvimos o grito de “attack, attack, attack” que aparecia a cada jogo de Louis van Gaal em Old Trafford na última temporada. Em vez disso, apareceu a música que “something tells me I’m into something good”.

Quarta-feira, em Estocolmo, pode acontecer a confirmação disso.

 

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