Manchester United e Liverpool: a história da rivalidade tribal entre dois times e duas cidades

united_liverpool

 

Em 2014, a torcida do Manchester United teve de fazer escolha que não estava acostumada. Para dizer a verdade, decisão impensável na década anterior.

Liverpool ou Manchester City seria campeão inglês. Qual a preferência?

Mesmo com dor no coração, a maioria esmagadora preferia que o City ganhasse, o que aconteceu. Zombar do Liverpool pelo jejum iniciado em 1990 é grande fonte de alegria. O irrelevante lado azul de Manchester já havia vencido em 2012. Então, não faria tanta diferença assim.

Mas o principal motivo da escolha era outro. O Manchester City é mais um rival. O Liverpool é inimigo. O City nem sequer é o segundo adversário mais importante do United. É o Leeds.

As trapalhadas dos lados de Anfield naquela reta final, o escorregão de Gerrard e o empate com o Crystal Palace ainda nos divertem três anos depois.

A inimizade cala fundo porque não se limita aos clubes. Trata-se de rivalidade entre duas cidades, protagonizada por torcidas que têm mais em comum do que gostam de admitir. Ambas representam o orgulhoso do norte contra Londres, são quase arrogantes  por serem quem são, classes trabalhadoras que sofrem juntas quando a economia não vai bem. Mancs and Scousers.

Competem na música, na arte, no futebol… Em tudo. No século XIX, a portuária  Liverpool decidiu sobretaxar os produtos da industrial Manchester que seriam exportados, o que causou revolta. A população de Manchester deu o “V sign” (no Brasil, o equivalente a levantar o dedo médio) para o vizinho, construiu o ship canal e passou a ter uma passagem para o mar a partir de 1894. Historiadores dizem que aí nasceu a inimizade.

É ódio, o que pode ser um sentimento muito próximo do amor. E levado às últimas consequências.

Tony Wilson, figura histórica do norte inglês, produtor musical (descobridor do Joy Division), dono da lendária discoteca Hacienda e jornalista, apresentava um programa de notícias na Granada, emissora de TV regional. Um dia antes da final da Copa da Europa de 1978, entre Liverpool e Club Brugge, ele foi ao ar com um badge do time belga na lapela do terno.

Wilson nunca escondeu ser torcedor do United. A outra torcida jamais disfarçou o desprezo por ele. Um dia, o jornalista recebeu telefonema da polícia. Seu Jaguar havia sido roubado do estacionamento da Granada, em Manchester, e abandonado próximo a Anfield. Irritado, o apresentador pegou o trem, foi a Liverpool, recolheu o carro e o parou de novo na emissora. Duas horas depois, a polícia voltou a ligar. O veículo havia sido furtado. De novo. Os autores do primeiro roubo, torcedores do Liverpool, o seguiram de volta à Granada, abriram o automóvel, dirigiram até as redondezas do estádio e o deixaram estacionado exatamente no mesmo local onde havia sido largado na primeira vez. Apenas para provocá-lo.

É inimizade tribal. Dessas que apenas o futebol pode produzir quando há mais do que o resultado em jogo. Celtic e Rangers é outro exemplo.

Nobby Stiles foi atingido por um dardo no braço em clássico dos anos 70. Para Ron Atkinson, entrar em campo contra “eles” era como ir para a Guerra do Vietnã. Ao dizer a um jornalista sobre qual sua missão mais importante no comando do United, Sir Alex Ferguson disse ser “derrubar o Liverpool daquela merda de pedestal. E você pode imprimir isso!”.

Dois times com lendários técnicos escoceses (Ferguson, Sir Matt Busby, Bill Shankly). Dois times devastados por tragédias (Munique e Hillsborough).

Quando o United começou a ameaçar voltar a ser campeão, na década de 90, a raiva ficou ainda mais forte. Ferguson se lembra de ouvir os jogadores adversários, no vestiário, gritando “fuck you” após o Liverpool vencer por 2 a 0 em 1992 e acabar com o sonho do rival, de ganhar o título inglês depois de 25 anos. Na semifinal da FA Youth Cup de 2011, o clube de Manchester foi multado porque os torcedores cantaram músicas lembrando a tragédia de Hillsborough, quando 96 torcedores morreram. Torcedores do Liverpool fazem gestos de aviões para zombar do acidente aéreo de Munique.

Em jogo da FA Cup de 2006, em Anfield, os torcedores da casa atiraram fezes nos visitantes. Após a final do torneio em 1996, uma pessoa tentou acertar soco em Cantona e, quando não conseguiu, cuspiu no atacante. Eric, sendo o gênio que é, apenas limpou o rosto com a camisa e, em seguida, levantou o troféu da Copa, a maior vingança.

Jogadores como Robbie Fowler e Steven Gerrard mostraram as mãos espalmadas para lembrar que o clube que defenderam conquistou cinco Copas da Europa. A torcida em Old Trafford responde dizendo que o Manchester United ganhou três vezes “without killing anyone”, lembrando a tragédia de Heysel em 1985. Gary Neville comemorou o gol da vitória no último minuto, em Old Trafford, em 2005, mostrando o escudo dos Red Devils de frente para a torcida inimiga.

Na década de 1990, apareceu em Anfield uma faixa lembrando que o Liverpool tinha mais títulos ingleses.

faixa-1

Quando o United foi campeão em 2009, igualando o arquirrival, veio a resposta…

faixa-2

Tudo recomeça neste domingo.

 

CURTA AQUI NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK

SIGA-NOS NO TWITTER: @BR_RedDevils

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s