Nem o recorde faz Wayne Rooney ser unanimidade

rooney

A última vez que o futebol me fez chorar, foi por causa de Wayne Rooney. Ele havia acabado de fazer o segundo gol contra o Liverpool, Old Trafford foi à loucura e a realidade bateu de vez. Era a última peça que faltava para a viagem perfeita. Eu havia conseguido a (primeira) entrevista com Sir Alex Ferguson, viajado para Manchester (centro do universo), o encontrado em Carrington e conseguido ingresso para o clássico do dia seguinte.

Faltava apenas a vitória. Rooney fez dois e o United venceu por 2 a 1. Muitos vão se lembrar como a partida em que Suárez se recusou a cumprimentar Evra. Onze de fevereiro de 2012. Foi muita emoção para alguém tão manteiga derretida quanto eu… As pessoas que me conhecem podem dizer que me emociono fácil.

Bem, não é bem assim. Mas naquele momento, foi.

Neste sábado, após Rooney anotar o primeiro gol contra o Reading e empatar com Sir Bobby Charlton como o maior artilheiro da história do United (249 gols), a torcida começou a gritar o nome do atacante (atuando como meia). Como comentarista da  BT Sports, Owen Hargreaves opinou:

“They love him here.”

Not everyone, Owen.

Claro, quando marca gol, o torcedor adora. Naqueles 90 minutos, ele é incentivado. Milhões de pessoas querem que se dê bem. Rooney é recordista, mas não é universalmente adorado em Manchester e redondezas.

Se você fica bravo por eu escrever isso… Ei, don’t kill the messenger. Eu apenas digo as coisas como são.

O currículo que construiu desde chegar do Everton como um garoto de 19 anos, em 2004, é difícil de ser contestado. Cinco títulos da Premier League, uma FA Cup, duas League Cup, uma Champions League, um Mundial de Clubes e…

Dois pedidos para deixar o clube. Uma parte da torcida não esquece ou perdoa. Duas vezes em que a equipe estava em dificuldade e passava por processo de reconstrução, Rooney solicitou ser negociado. Em 2010, foi chocante. Seus empresários tentaram lançar uma jogada de relações públicas e levá-lo para o City.  Sir Alex  usou a imprensa com maestria para atirar a culpa sobre o atacante. Limpou o chão de Carrington com o “estafe” dele. Em 2013, Ferguson afirmou que Rooney pediu uma transferência, o que o jogador sempre contestou. Jura apenas ter dito estar insatisfeito. E ainda teve o namoro com o Chelsea, na época dirigido por Mourinho.

Sempre, após essas novelas, Wazza saiu da briga com o contrato renovado e generoso aumento de salário.

É difícil contestar também que o futebol dele cai a cada temporada e, na atual, está claro que não pode ser titular. Pelo menos não nas partidas em que Mourinho pretende escalar força máxima. A tendência a engordar e a dificuldade para encontrar o ritmo de jogo quando volta de cada contusão chegam a irritar. Rooney parece ter o perfil de quem em muito pouco tempo vai receber uma daquelas propostas zilionárias da China. Ou da Major League Soccer. Há tanta indiferença em Old Trafford que dificilmente se escuta mais no estádio a música do camisa 10, que o chama de “white Pelé” e que “he goes by the name of Wayne Rooney”. O “viva Ronaldo” ainda é mais cantado em alguns jogos e CR7 foi vendido para o Real Madrid em 2009.

É justo?

Claro que não. Não apenas pelos números, mas pelos títulos e atuações (irregulares), ele está na história do clube. Mesmo descontente, não há notícia de que tenha se recusado a fazer funções que não gosta. Na campanha de 2007-2008, Rooney passou quase a temporada inteira jogando aberto pelas laterais para que Cristiano Ronaldo e/ou Tevez pudessem atuar centralizado(s). Faz papel de volante, meia e, nos últimos tempos, meia-atacante. Com a idade, a velocidade diminuiu consideravelmente, assim como seu primeiro toque na bola se tornou ruim. Mas ele jamais tirou o pé de uma dividida ou deixou de se sacrificar pela “causa”.

Quando Ronaldo foi vendido para o Real Madrid, Rooney assumiu a responsabilidade de ser o principal astro da equipe. A temporada 2009-2010 foi sensacional. Anotou 34 gols e é justo pensar que o Man United só perdeu o título da Premier League para o Chelsea e foi eliminado pelo Bayern de Munique nas quartas de final da Champions porque Wazza havia lesionado o tornozelo.

Desde então, ele tem encontrado problemas para brilhar em jogos grandes. Fez um gol na final da Liga dos Campeões de 2011, mas teve atuação muito ruim. Sua capacidade de influenciar os rumos da partida, no meio-campo ou ataque, diminuiu. E está apenas com 31 anos.

É difícil saber o que se passa nos bastidores em Carrington, mas Mourinho parece confiar em Rooney e querer que ele participe mais dos jogos. Insistiu com seu capitão como titular até que mantê-lo no time se tornou prejudicial demais. Contra o Reading, Wazza foi bem e é difícil imaginar que não fará pelo menos mais um gol para se isolar como o maior artilheiro na história do United.

Mas Wayne Rooney precisa se achar novamente em campo, em uma posição em que consiga ser efetivo sempre. O desafio é de Mourinho e não será fácil.

Últimos instantes – Man United x Liverpool (2012)

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