Come on, David Moyes. Play like Fergie’s boys

Vamos deixar uma coisa clara desde já:

Eu gosto de David Moyes. Ele é um sujeito honesto, decente, obcecado por futebol e que ganhou na loteria ao ser escolhido por Sir Alex Ferguson para dirigir o Manchester United.

Ninguém tinha dúvida de que a transição seria muito difícil. Quem poderia substituir Sir Alex Ferguson sem tropeçar pelo caminho? Ainda mais com um elenco envelhecido e enfraquecido em algumas peças fundamentais. Culpa do próprio Ferguson (falamos sobre isso em post anterior. Veja aqui).

Moyes pode ser vítima dos acontecimentos. Até porque começam a aparecer na imprensa informações “off the records” que os jogadores acreditam que os dias dele no comando do Manchester United estão marcados. Isso nao é invenção de jornalistas. E este tipo de novidade não sai da boca de Moyes ou de ninguém ligado a ele. É coisa de integrante do elenco (ou o empresário) ou do board. Em qualquer dos casos, revela uma tendência.

Acreditem. Quando alguém publica que aquele cavalo é zebra, pelo menos alguma listra o bicho tem.

Moyes só tem um aliado: a torcida. Apesar dos sucessivos resultados, boa parte de Old Trafford cantou maciçamente, mesmo durante a humilhação de domingo. Estavam  apoiando o time, não o técnico especificamente. Pouco importa. Na situação em que ele está, não se olha se o cachorro tem dentes.

A campanha “Moyes Out” é uma estupidez. Até porque já existia quando o time conseguia resultados encorajadores, como a vitória sobre o Arsenal, em Old Trafford. Ou a goleada sobre o Bayer Leverkusen, na Alemanha. Essa gente não é para ser levada a sério.

Quem não aguenta uma temporada ruim após mais de 20 anos de vitórias quase ininterruptas, tem de ir torcer para o Chelsea.

Mas perder a fé dos jogadores… Isso é fatal. Alguns deles claramente não estão mostrando nem perto do que sabem. Evra nem parece estar se esforçando. Carrick está mal. Van Persie não é sombra do atacante da temporada passada. Rooney é muito pouco efetivo. Apenas para ficar em alguns nomes.

Dependendo do tempo que durar o reinado de Moyes, podem aparecer ou não histórias sobre o trabalho dele em Old Trafford. Foi o que aconteceu com Wilf McGuinness, o substituto de Sir Matt Busby.

A diferença é que Wilf, ex-jogador do United, foi contratado para ser fantoche. Não tinha nem o cargo de manager. Inventaram o título de head coach. Não possuía autorização nem para fazer contratações sem consultar Busby. Ter sido demitido foi um trauma tão grande que seu cabelo despencou do dia para a noite. Ficou completamente careca.

Pelo menos, Sir Alex fez esse favor a Moyes. Afastou-se completamente.

Por motivos diferentes, McGuinness alienou os jogadores. Inclusive George Best (com certa cumplicidade de Busby). Foi o momento em que perdeu o emprego. Moyes corre o risco de seguir pelo mesmo caminho.

Você não precisa ter amigos entre os seus comandados. Eles não precisam nem gostar de ti. Mas tem de respeitar e temer. Quando Roy Keane, que virou espécie de inimigo público número 1 de Ferguson, foi questionado sobre qual o maior defeito do seu ex-chefe, respondeu:

“Ruthlessness”

E a maior virtude?

“Ruthlessness”

Nesta segunda-feira, Moyes passou o dia trancado em Carrington, com seus auxiliares, pensando em jeitos para sair da crise. Isso passa a imagem de quem não tem a menor ideia do que fazer. Se nós sabemos disso, imaginem os jogadores…

As estratégias táticas têm sido previsíveis. Brendan Rodgers, astuto, passou por cima no domingo, ao escalar Sterling na ponta ofensiva do diamante no meio-campo. O United é um time lento e que faz sempre a mesma coisa. Dois volantes à frente da zaga, atrás da linha da bola. Se a recuperam, lançam para as laterais para sair o cruzamento na área. Não há jogadas pelo meio, apesar de contar com Rooney, Mata (não na Champions League) e Januzaj.

Oremos para que não, mas quarta-feira pode ser o dia do juízo final para David Moyes. Até porque, na terça-feira seguinte, o United recebe o Manchester City em Old Trafford.

Moyes precisa de um milagre. E apoio, mesmo que você não acredite mais nele. É a camisa que conta, no fim de tudo. Se você não está disposto a oferecer isso, o conselho continua de pé. Vá torcer para o Chelsea.

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