Manchester United é um só

Sempre houve uma divisão entre os torcedores do Manchester United. Enquanto Alex Ferguson estava lá, fortaleza de estabilidade e indiscutível mola propulsora de títulos, a discussão aparecia e depois sumia, escondida por trás da montanha de troféus. Agora que ele se foi, Moyes chegou e a equipe oscila, mergulhada na incerteza, voltou com toda força.

Há muitos que reclamam do desempenho atual da equipe, lamentam contratações, cornetam jogadores e criam hashtags ridículas. Como #MoyesOut.

Mas existem outros que não suportam essa conversa. Para esses, quem se queixa não é torcedor de verdade, mas apenas gloryhunter. Um mimado que não viveu a época das vacas magras, está acostumado apenas com os anos de glórias (oferecidos por Alex Ferguson). Nesta linha de pensamento, é inconcebível vaiar um jogador que veste o manto sagrado do Manchester United.

Nos fóruns, as brigas têm sido ferrenhas. Nani saiu apupado de campo por parte do público presente em Old Trafford, no último sábado, contra o Stoke. Para uns, justo. Para outros, inadmissível

É mais do que uma discussão de visões diferentes. É divergência de quem enxerga o mundo de forma oposta. Para quem fez do Manchester United grande parte do motivo da própria existência, nas décadas de 1970 e 1980, o máximo que se podia esperar então era uma boa campanha na FA Cup e derrotar o Liverpool na Division One. Ser campeão inglês era expectativa tão surreal quanto esperar que Lionel Messi trocasse hoje o Barcelona pelo Boca Juniors. É lendária a vitória na Recopa de 1984, sobre o Barcelona de Maradona e Schuster, em Old Trafford, em 1984. Bryan Robson, Frank Stapleton e Gary Bailey garantem jamais terem presenciado um estádio tão barulhento quanto naquela noite de Manchester. E na fase seguinte, os Reds foram eliminados.

Há, porém, os mais críticos (vamos usar essa palavra, porque “gloryhunter” é um termo ofensivo. Pelo menos eu encararia dessa forma) que, em sua maioria, compreendem o sofrimento de quem seguiu o clube nos anos difíceis, mas argumentam que a realidade mudou. O United é força mundial, um dos clubes mais ricos do planeta e deve vencer de acordo com essa condição.

Geralmente, não sou sujeito de ficar em cima do muro para dizer que as duas partes têm dose de razão, mas… as duas partes têm dose de razão.

A falta de perspectiva de algumas pessoas é irritante. O Manchester United não vai ganhar todos os anos e nem vale a pena falar do período entre 1968 e 1990, quando a equipe conquistou apenas quatro copas da Inglaterra. A era Alex Ferguson foi uma recompensa à paciência e perseverança com o trabalho do treinador. Mesmo depois da fase ganhadora. As temporadas 2001-2002 e 2004-2005 terminaram sem títulos. Se você considerar que a League Cup não é lá essas coisas, pode colocar a 2005-2006 também na lista. Depois de 2003, o United ganhou a Premier League apenas em 2007. Por isso a frase usada por tantos torcedores mais antigos, o keep the faith, vale tanto a pena.

E como disse o próprio Sir Alex: STAND BY OUR NEW MANAGER!

Ao mesmo tempo, falta um pouco de tato. Embora a mensagem seja correta e é preciso pensar no que é o Manchester United historicamente, em vez de focar em um resultado, não custa um pouco de compreensão. Se o time cede o empate para o Southampton, no último minuto, em casa e jogando mal, as pessoas vão ficar aborrecidas e mal humoradas pelo menos por algumas horas. No meu caso, dura um final de semana inteiro.

Você fica irritado com derrotas, fique. É o seu direito. Mas sem esquecer o que é o Manchester United e o que o clube representa.

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