Match report: Stoke City 0-2 Manchester United (EPL, 26/9/2009, Brittania Stadium)

Primeiro lugar da Premier League? Look who’s baaaaack!

O dia começou estranho porque, para ajudar o processo de despertar numa manhã de sábado, abri uma Guinness. Lata. Eu sei que está longe de ser o mesmo que on tap, mas enquanto não tenho dinheiro para montar meu prórpio pub (nem me mudo para perto de um), é o melhor que se pode fazer. Assim que encostei o copo na boca, senti que o gosto estava normal.

Vencida. Fuck, quem é que lembra de olhar data de vencimento de cerveja? Só mulher. Bem que estava estranho o preço, barato demais.

Fiquei entre duas opções:

a) Jogar pelo ralo

b) Beber mesmo assim.

Bem… jogar fora uma das três melhores criações da história da humanidade é heresia. O jeito foi tomar. Não estava tão bom quanto a Guinness dentro do prazo, mas mesmo assim, melhor que aquelas marcas que vocês conhecem que são fabricadas aqui.

Giggs on the bench. Eu considerava até a possibilidade de Sir Alex dar um descanso para Rooney pensando no jogo de quarta -feira e escalar Berbatov-Owen. Tirando a defesa, o United não tem nenhum automatic choice na escalação (a não ser Wazza). Então, trocas como Park por Nani, Anderson por Scholes são normais e vão acontecer muitas vezes.

Tirando as partidas contra o top four, poucos jogos na Premier League podem ser tão difíceis quanto ir ao Brittania Stadium. Lembram-se do ano passado, o gol de Tevez no final foi o que deu os três pontos ao United? Stoke dificilmente é batido em casa e CSKA Chelski precisou de um gol aos 49 do segundo tempo para contratiar isso.

Qualquer um que viu a partida percebeu que o primeiro tempo não foi bom. Aliás, o jogo inteiro não foi principalmente porque a proposta de jogo do Stoke é bloquear as jogadas adversárias e eles sabem se defender muito bem. Acho que é o time mais físico da Premier League e aqui não vai nenhuma crítica. Cada um usa as armas que tem e não há nada de errado nisso.

Desde o início, quem se destacou foi Scholes, controlando o meio de campo. A inversão de jogo de trivela que deu para Giggs no segundo tempo é quase idêntica ao que Ryan fez contra o City para Berbatov na semana passada.

O United teve dificuldade para encaixar o jogo. Era sempre marcação dupla nos wingers e faltou variação a Valencia. Ele tentou sempre a mesma jogada: cortar para fora e fazer o cruzamento. Mas o que pouca gente percebeu é que, mesmo assim, ele sempre conseguiu colocar a bola na área. Não sou nem nunca fui partidário da tese de que Valencia não é jogador para o Manchester United. Claro que ele não é Ronaldo e nem precisaria dizer isso, mas quem visse Ronaldo em 2005 diria que ele não era nem jogador para a Premier League, quanto mais para o Manchester United.

Nani realmente está se esforçando e não vejo uma atuação desastrosa dele. Uma pessoa na lista de discussão do Manchester United escreveu que o português toma sempre as decisões erradas. Cruza quando tem que chutar e chuta quando tem de passar a bola. Geralmente isso é verdade, mas não creio que tenha sido isso hoje. Acho, sim, que isso pode se aplicar a Rooney, que não foi bem como estava sendo nas partidas anteriores, o melhor jogador da Premier League até agora.

O fato é que o United criou poucas chances de gol no primeiro tempo, mas foi pouco ameaçado atrás. Embora Valencia tivesse de ter aberto o placar quando saiu na cara do gol! Kitson foi facilmente anulado por Vidic e Rio, que nem tiveram tanto trabalho assim, nem mesmo com os laterais de Rory Delap.

Meu otimismo no intervalo era porque não via grandes possibilidades do Stoke marcar, a não ser em uma bola aérea e com um vacilo muito grande da zaga.

É meio inevitável escrever sobre Berbatov. Mas a gente precisa ter um pouco mais de coerência. Hoje por alguns motivos vi o jogo na ESPN, um canal que respeito, onde tem um monte de gente competente pra caramba. Várias que conheço, aliás. Mas por exemplo, na comparação Berbatov-Tevez foi citado que o argentino fez gols fundamentais para o título do United na última temporada. Um deles, contra o Stoke, que eu já citei aqui.

Ok. Hoje, foi o búlgaro quem marcou o primeiro. O mérito da jogada foi todo dado para Giggs. Não sem justiça, embora o mais difícil de todo o lance  tenha sido o passe de Fletcher para Giggsy. Berbatov, dentro da pequena área, apenas tocou o gol.

Mas alguém lembra como foi o gol de Tevez contra o Stoke na temporada passada? Berbatov ganhou da zaga, bateu forte pro meio da área e Tevez tocou para o gol com o goleiro já batido.

Vamos fazer justiça. Claro que Berbatov não está jogando bem. Eu ainda acho que ele, para ser mais efetivo, tem de ficar mais próximo  à área, mas a verdade deve ser dita.

Da mesma forma que achei absurda a mensagem no blog da emissora de alguém que disse que o United, sem Ronaldo, “perdeu a identidade”. Perdeu a identidade?

6 de fevereiro de 1958, Wembley-1968, Charlton, Edwards, Law, Best, Robson, Keane, Barcelona-99, 1993… e a saída de um jogador tirou a identidade do Manchester United Football Club?

Sem comentários.

Eu parto do seguinte princípio: Berbatov é bom atacante? Sempre foi. Vale o dinheiro que o United pagou por ele? Claro que não. Ele vem jogando bem desde que foi contratado? Mais ou menos, mais para menos que para mais, embora eu não ache que ele tenha se saído tão mal quanto dizem. Mas é inegável que  não correspondeu até agora. Porém, ele é atacante do Manchester United. Enquanto aquela camisa 9 for dele, acredito em Dimitar. Mas ele realmente corre sério risco de ser um bust na história de contratações da era Alex Ferguson.

Giggs não foi tão importante hoje quanto foi no derby, mas sua qualidade é inegável. Como diria, Fergie, não há muito mais o que dizer sobre ele. Nas bolas paradas, é perigosíssimo e colocou na cabeça de O’Shea.

Melhor de tudo foi a vitória do Wigan contra CSKA Chelski.

We’re back at the top of the table.

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2 Respostas para “Match report: Stoke City 0-2 Manchester United (EPL, 26/9/2009, Brittania Stadium)

  1. Muitos falam de quem vai substituir o Ronaldo, mais meu maior medo é o que vai acontecer quando Giggs aposentar. Absolutamente preocupante.

  2. Concordo com você, temos que torcer para que o Valencia se entrose no grupo (acho que ele se encaixa bem no estilo do United e só falta dar tempo pra ele), o Nani tem que aprender a jogar em sintonia com a equipe, porque isso é o que mais falta pra ele. Fora eles, ainda temos o Park que ajuda muito taticamente, o Fletcher pode quebrar um galho como winger também, ainda temos o Fábio e o Rafael que podem futuramente se adaptar a essa posição já que jogam muito ofensivamente, e temos também o Tosic, e em breve ainda teremos o Ljajic como perspectiva futura.. Mas realmente, a falta que nos fará o Ryan Giggs é preocupante.
    Bem diferente do Paul Scholes, visto que temos grandes jogadores no setor (Carrick, Anderson, Fletcher, Hargreaves..)

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