Velha guarda abre passagem

Matéria de Tim Rich para o The Guardian

Parte do que faz Sir Alex Ferguson grande é seu anti-sentimentalismo, o instintivo conhecimento de quando é o momento para um jogador deixar o Manchester United.

Uma década atrás, ele disse: “Este clube é como um ônibus em movimento e nós não queremos parar para ninguém que está atrasado. Eu sempre deixei esse ponto bem claro para os jogadores. Nós temos que nos assegurar que o ônibus vai seguir. Não podemos parar”.

Como atleta, a pior lembrança de Ferguson foi de rejeição. Ele foi avisado meia hora antes da partida que não jogaria pelo Dunfermline a final da Copa da Escócia de 1956. Sempre disse o quanto desgostava de fazer mudanças repentinas e tem sido muito bom nisso.

Ele olhou para Nicky Butt e Phil Neville, homens cuja lealdade ao Manchester United estava fora de cogitação e decidiu que era o momento deles deixarem Old Trafford. A decisão de vender Paul Ince, Mark Hughes e Andrei Kanchelskis após a derrotada temporada de 1994-1995 ainda parece aposta tremendamente arriscada, mesmo com uma nova geração aparecendo em seguida para vencer o Double.

Se, como parece bem provável após a vitória sobre o Arsenal, eles mantiverem o título, será a clara confirmação das mudanças com as quais Fergie se comprometeu no decorrer dos anos. Também vai ressaltar o valor de seu assistente, Carlos Queiroz. Se este deixar o United para dirigir o Benfica no verão, Cristiano Ronaldo, Anderson e Nani não poderão ser considerados uma herança ruim.

Michael Carrick e Owen Hargreaves eram bem conhecidos. As contratações, com um gasto somado de 35 milhões de libras, eram essencialmente livres de riscos, embora a adaptabilidade de Hargreaves em sair de posição defensiva para ofensiva contra a Roma foi uma desagradável surpresa para o seu marcador.

Ninguém, menos ainda Ferguson, esperava Anderson, que celebrou o vigésimo aniversário na manhã do confronto com o Arsenal, ter o imediato impacto em Old Trafford, principalmente porque ele chegou do Porto se recuperando de uma perna quebrada.

Não havia dúvida quanto ao seu potencial: Phil Scolari, que como técnico do Brasil e depois Protugal, conhecia o jogador há muito tempo e achava que ele poderia se transformar em um dos principais meias da Europa em pouco tempo, um jogador box-to-box do estilo que o United não tem desde quando Roy Keane estava no ápice. Mas poucos, inclusive Anderson, que quando chegou a Manchester disse desejar aprender com Paul Scholes, esperava tanto em poucos meses.

Sua performance na vitória por 3 a 0 sobre o Liverpool foi um clara prova de suas intenções e, embora você possa provar quase qualquer coisa com estatísticas, o fato dele levar a melhor em 87% dos tackles é um número que até Keane se sentiria orgulhoso.

No meio do segundo tempo do encontro com o Lyon pela Champions League, pareceu um simbólico momento quando Scholes e Giggs, que venceram tantas partidas para o United através dos anos, foram substituídos por Nani e Tevez. Quando os dois substitutos combinaram no lance do precioso gol de empate no Stade Gerland, parecia que estávamos testemunhando uma nova troca de guarda.

 Futebol não é simples e direto. Ferguson pode ter prometido a Scholes que se o United chegar à final da Champions League, que ele perdeu por causa de suspensão em 1999, ele será titular. Apesar disso, Scholes, que conhece bem a rudeza do chefe, deu uma estranha franzida de cenho quando lembrado do assunto antes do jogo em Roma. Se não estiver atuando bem, o meia disse, não existe a menor chance dele começar jogando.

E ainda, se não tiver mais uso em Old Trafford, nenhum jogador fica no Manchester United. Giggs, cuja experiência sobre o que é necessário para ganhar o título nos cruéis meses de março e abril seria algo que Arsene Wenger pagaria um bom dinheiro, tem falado sobre seu papel em acalmar os jovens jogadores, instigando neles essencial disciplina que geralmente falta ao Arsenal em partidas decisivas.

As estatísticas dizem que Scholes completa 90% dos passes, mas não revela o quão imaginativas essas jogadas são. O ponto final pode estar chegando, mas eles têm ainda algumas paradas no ônibus sempre em movimento de Ferguson. 

Quem quiser utilizar esta tradução do Brazilian Red Devils, favor ter a decência de dar o crédito de onde tirou o texto. E isso de maneira clara e legível para todos os visitantes.

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